Família de motorista morto se revolta com despreparo de PM que reagiu a assalto em ônibus
Morto quando trabalhava, Márcio de Oliveira Diniz deixou quatro filhos
Rio de Janeiro|Do R7

A família do motorista Márcio de Oliveira Diniz, morto na noite de quinta-feira (5) quando um policial militar reagiu a um assalto no ônibus em que ele conduzia no centro do Rio de Janeiro, criticou a ação do agente. Revoltado, o cunhado dele, Roberto Lopes, falou em despreparo do PM, que estava à paisana.
— O Márcio era um brasileiro. Levantava de madrugada para trabalhar para poder pagar essa turma aí, tanto quem assalta como quem trabalha. [O policial] despreparado bota uma arma na cintura e sai dando tiro dentro de um ônibus com luz apagada.
Segundo parentes, o motorista de 41 anos estava numa fase feliz de sua vida — ele acabara de ser pai pela quarta vez. A família morava na comunidade do Salgueiro, em São Gonçalo, próximo à garagem onde ele trabalhava.
— O Márcio morava em área de risco. Ele tinha um medo terrível, ele só morava lá porque não tinha condições. Todo mundo preocupado como ele chegava e saía de lá e ele morre aqui no centro do Rio, por um policial.
Arma de brinquedo
Durante a tentativa de assalto, ocorrida na Cidade Nova, o policial também matou os dois criminosos. O motorista do ônibus executivo que fazia a linha Centro-São Gonçalo morreu na hora.
Segundo testemunhas, os criminosos entraram como passageiros na avenida Presidente Vargas, anunciaram o assalto e pediram para o motorista apagar a luz interna do ônibus. Um deles contou que houve vários disparos.
— Todo mundo se abaixou, se escondendo atrás do banco. Todo mundo tava gritando. Foram muitos tiros.
O policial que reagiu trabalha no batalhão da Praça da Harmonia (5ºBPM). Em depoimento, ele contou que atirou porque viu uma arma na mão dos bandidos, mas a pistola era de brinquedo.
A Divisão de Homicídios fez a perícia na área do crime e os passageiros prestaram depoimentos. As imagens das câmeras de vigilância do ônibus foram solicitadas e devem oferecer mais detalhes. Segundo um motorista de ônibus da mesma empresa, os assaltos têm sido comuns na região.















