Filha de atropelado por égua diz que animal teve melhor tratamento
Advogado da família informou que pretende mover ação na Justiça para responsabilizar o Jockey Club; garçom teve morte cerebral na quarta (18)
Rio de Janeiro|Juliana Valente, do R7*, com Record TV Rio

A família de Damião Amaral de Carvalho, de 59 anos, vai pedir na Justiça que o Jockey Club Brasileiro seja responsabilizado pela morte do garçom. Ele estava internado no Hospital Miguel Couto, na Gávea, desde o último dia 11 após ser atropelado por uma égua que fugiu do clube. Damião teve a morte cerebral confirmada na noite da última quarta-feira (18).
A filha da vítima, Priscila Nascimento, alega que, após o acidente, o animal teve mais assistência que o pai.
— Se ele tivesse sido assistido no momento da queda, assim como foi a égua, ele ainda poderia estar lutando com a gente. O animal teve mais assistência, isso tenho certeza.
Morador de São Gonçalo, o garçom estava de moto parado em um sinal na Lagoa, zona sul do Rio, quando foi surpreendido pelo animal em alta velocidade. Com o impacto da batida, o garçom foi arremessado da moto. Após atingir o motociclista, a égua continuou correndo pela avenida Borges de Medeiros e, em seguida, foi atingida por um segundo veículo. Já perto do Túnel Rebouças, outro automóvel a atropelou.
Priscila critica ainda a direção do Jockey que, segundo ela, não prestou socorro a vítima.
— Eles só resolveram conversar com a família depois que o caso foi noticiado na mídia.
De acordo com o advogado da família, Antônio Marques Fernandes, o Jockey Club Brasileiro precisa ser responsabilizado por esse crime.
— É um absurdo perceber que a família foi deixada de lado e a égua, no mesmo momento, teve atenção. O clube tem que se responsabilizar por esse animal que estava solto. Além disso, o dono do animal não se propôs, em nenhum momento, a dar uma mensagem de apoio à família.
O advogado explicou que pretende mover ação na Justiça para responsabilizar criminalmente quem permitiu a fuga do animal e ressaltou ainda que a responsabilidade civil, a princípio, será contra o Jockey.
A égua Mary Happy era um puro-sangue inglês de corrida e iria estrear em poucos dias. Avaliado em aproximadamente US$ 1,5 milhão, o animal sofreu traumatismo craniano e várias escoriações pelo corpo. Segundo a equipe veterinária do clube, a égua precisou ser sacrificada porque não respondia aos estímulos.
Em entrevista a Record TV Rio, Priscila lamentou "a única coisa que sinto é a perda do meu pai".
Em nota oficial, o Jockey Club informou que prestou apoio à família da vítima e que a diretoria do clube compareceu diariamente ao hospital. Ainda segundo o documento, o clube solicitou a presença do neurocirurgião Paulo Niemeyer para avaliar a situação do acidentado. O Jockey afirmou ainda que a Comissão de Corridas do Jockey abriu sindicância para apurar os fatos.
* Estagiária do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira
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