Logo R7.com
RecordPlus

Fim de semana de shows de rap no Rio é marcado por multidão, chuva e reclamações

Emicida, Criolo e O Rappa se apresentaram nesta sexta (6) e sábado (7) na capital fluminense

Rio de Janeiro|Do R7

  • Google News
Falcão convidou Criolo a voltar ao palco após imprevistos
Falcão convidou Criolo a voltar ao palco após imprevistos

Mesmo com a previsão de chuva para todo o fim de semana, cariocas se planejaram para curtir shows de três artistas que se apresentam poucas vezes na cidade. No sábado (7), Criolo e O Rappa se apresentaram na Marina da Glória, região central da cidade. Por causa da forte chuva, o rapper paulista entrou no palco uma hora e meia após o previsto e fez um show limitado: os instrumentos da banda não puderam ser utilizados. Com voz e DJ, Criolo fez uma apresentação de aproximadamente trinta minutos marcada por pedidos de desculpas ao público, que ovacionou o artista durante todo o show.

Em sua página no Facebook, o rapper diz que houve "uma condição climática que impossibilitou nossa apresentação da forma que preparamos.Tínhamos o time completo, incluindo naipe de metais e estávamos muito empolgados com o show, pois tocaríamos músicas que há muito tempo não tocamos na cidade". Criolo completa dizendo que "ir até o Rio de Janeiro e não cantar não era uma possibilidade, por isso, a única solução possível para a situação era reduzir o formato do show".


Às 23h30, o Alerta Rio decretou estágio de atenção no município por causa da chuva. Sem cobertura para se protegerem, os pagantes da pista comum e da pista premium (R$ 90 e R$ 140 a meia entrada do último lote) da Marina da Glória tiveram que recorrer a capas de chuva vendidas a R$ 10 por ambulantes na entrada do evento. O acesso à área do show ficou alagado nos momentos de chuva mais forte.

Já dentro do evento, o chão de terra virou lama e algumas pessoas desistiram de esperar as apresentações. Em uma rede social, fãs dos artistas reclamam da falta de infraestrutura do evento. Muitos relatos dão conta de desistência. “Maior fraude, não entendi não cancelarem, muita chuva, impossível ficar, falta de respeito, cruel”, disse uma fã. Outra publicação afirma que o show foi um descaso com o público: “Um evento de grande porte que não foi capaz de suportar "imprevistos". Organização desrespeitosa, essa é a verdade. Ninguém está preocupado com o conforto de quem pagou. O que passamos hoje foi humilhação, não digo que foi despreparo por parte da organização porque estão acostumados a realizarem shows, foi um completo DESCASO conosco!”.


Em nota, a Híbrido Eventos, organizadora dos shows, informou que o público presente "foi o principal motivo para mantermos a programação. Todo o nosso trabalho na noite foi direcionado a atender as milhares de pessoas que estavam no local aguardando para verem seus ídolos. Seria inviável naquelas condições dispensar o público que foi tão empenhado em chegar ao local para ver as bandas que admira". A produção diz ainda que "o mapa do evento foi disponibilizado no site de venda de ingressos durante todo o período e já demonstrava que apenas alguns pontos do evento possuíam cobertura". 

Sobre os atrasos, a Híbrido informa que "ocorreu em função de um pedido dos artistas que queriam esperar a chuva dar uma trégua. Além disso, foi preciso resolver algumas questões técnicas em decorrência da combinação "água + eletricidade", para garantir a segurança dos artistas, suas equipes e dos demais presentes".


Por causa dos imprevistos, o show de Criolo começou por volta de 1h30 e não apresentou setlist e banda completos. Pedindo desculpas para quem “pagou para ver um show cultural” e estava naquelas condições, o rapper cantou apenas duas músicas do seu último trabalho “Convoque seu buda” e poucos clássicos do disco “Nó na orelha”, como “Não existe amor em SP”, “Subirusdoistiozin” e “Lion man”. A última música foi “Carinhoso”, de Pixinguinha. Após cerca de trinta minutos de apresentação, o rapper finalizou dizendo que tinha “mais coisas” a dizer sobre o evento, mas era melhor “deixar quieto”.

O Rappa entrou no palco por volta de 2h30 com o sucesso “Me deixa”. Após apresentar duas músicas, o vocalista Falcão pediu palmas para Criolo e disse que “ele não precisava passar por isso”. O rapper voltou ao palco e se apresentou com a banda por cerca de dez minutos. Após a saída de Criolo, O Rappa deu continuidade ao show que durou cerca de duas horas e meia. Na página da banda no Facebook, eles agradecem aos fãs. Mesmo com a desistência de muitos, o evento lotou. “O que dizer, além de MUITO OBRIGADO? Rio de Janeiro, nossa casa, em peso na Marina da Glória debaixo de chuva. Vocês, fãs do Rappa, são os mais sinistros do universo! ‪#‎nuncatemfimtour‪#‎respeitomáximo”.


Emicida lançou CD para um Circo Voador lotado na sexta (6)
Emicida lançou CD para um Circo Voador lotado na sexta (6)

Lona salva e show do Emicida lota no “Circo”

Na sexta (6), Emicida lançou o CD “Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa” no palco do Circo Voador e, graças à lona do local, a chuva fina e constante não atrapalhou. Com ingressos vendidos a R$ 50 (meia entrada do segundo lote), o rapper das letras provocativas fez apresentação especial de cerca de duas horas para os cariocas. Com sucessos clássicos como “Triunfo”, “Hoje cedo” e “Zica, vai lá”, Emicida prendeu a atenção da multidão que lotou a casa.

A falta dos músicos que participam do álbum, considerado pelos fãs o melhor da carreira, não impediu que o rapper cantasse a agitada “Mandume”, que tem participação de novos nomes da cena hip-hop, ou “Baiana”, parceria com Caetano Veloso. A famosa “Boa esperança”, que com um videoclipe dirigido por Katia Lund (co-diretora do filme Cidade de Deus) caiu nas graças do público, foi entoada pelo rapper e pelo público com força e ares de luta como a letra e o vídeo sugerem. “Passarinhos”, a segunda música de trabalho do CD e parceria com Vanessa da Mata, levantou o público.

Assim como o álbum, o show foi marcado por referências ao continente africano. Antes de cantar “Mufete”, que cita cidades e países da África, Emicida declamou “Súplica”, poema da moçambicana Noémia de Souza, com versos como o que diz “Tirem-nos tudo, mas deixem-nos a música”.

Fazendo referência à música produzida no Rio de Janeiro, Emicida convidou o público para se sentir “como se estivesse no Viaduto de Madureira [local onde ocorrem os tradicionais bailes charme na zona norte do Rio]” ao cantar a romântica “Madagascar”. O rapper também cantou o funk “Rap do Silva”, de Mc Bob Rum e “Preciso me encontrar”, de Cartola, e finalizou com “Salve Black”, última música do álbum novo.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.