Folião atacado por guardas em bloco teve cotovelo desintegrado: "Essa dor não vai me parar"
O editor de vídeos João Gila passou por cirurgia de mais de 7 horas
Rio de Janeiro|Do R7

O editor de vídeos João Gila, um dos foliões atacados por agentes da Guarda Municipal na madrugada do último sábado (13) durante o Tecnobloco na Praça Mauá, relatou em seu perfil no Facebook que a ação violenta dos agentes começou sem "nenhuma justificativa visível". Gila foi alvo de ao menos três golpes de cassetete — nos dois braços e nas costas — quando começou a gravar com seu telefone celular.
"Começaram a descer o cacete, mulher caída no chão, gente correndo desesperada. Nossa única arma, nesses momentos, é o registro do que acontece a nossa volta. Puxei o celular e me tornei uma ameaça."
A Guarda Municipal afastou 15 agentes envolvidos nas agressões. Segundo a corporação, foi aberta uma sindicância para investigar a denúncia de “excesso” por parte dos guardas. O responsável pela equipe foi exonerado do cargo.
Gila contou que passou por uma cirurgia de mais de 7 horas para tentar recuperar o cotovelo desintegrado. Os golpes ainda o deixaram sem o movimento de dois dedos da mão esquerda. Segundo ele, serão ao menos dois meses para o osso se recuperar.
Apesar da violência, o editor de vídeos não pretende deixar de curtir os blocos de rua.
"Repito: essa dor não vai me parar. Continuarei pulando carnavais, oficiais e não-oficiais. Continuarei colocando meu corpo na rua, ocupando esse espaço que é nosso e não de grandes empresas ou de organismos que falham ao tentar nos representar. Esses três golpes me feriram apenas do lado de fora. Por dentro tenho ainda mais energia do que tinha antes."
Jornalista é agredido e algemado por gravar ação
O jornalista Bernardo Tabak, outro dos foliões agredidos, também relatou em sua página em uma rede social como agentes da Guarda Municipal o espancaram depois que ele gravou com o telefone celular as ações violentas. Assim como Gila, ele começou a gravar um vídeo no momento em que os agentes lançavam bombas de gás lacrimogêneo e batiam “gratuitamente” nos foliões. Quando os guardas viram Bernardo filmando, imobilizaram-no e decretaram prisão por desacato.
Segundo o jornalista, os foliões não estavam depredando as áreas públicas. “Não presenciei o começo do tumulto. Estava no meio da praça. Mas vi de longe uns guardas batendo em gente gratuitamente, indiscriminadamente, que tentavam simplesmente se desvencilhar da confusão. Afirmo: não vi qualquer depredação durante todo o desfile, não vi pichações e não vi ninguém lançando garrafas contra a Guarda (nem em nenhum dos vários vídeos que já assisti até agora).”















