Grupo é agredido durante show de Pabllo Vittar no Rio e acusa seguranças de LGBTfobia
De acordo com vítima, grupo foi convidado para participar de evento por organizadores
Rio de Janeiro|Do R7

Um grupo de representantes da Casa Nem, uma casa de acolhimento de travestis e pessoas transexuais, foi agredido na madrugada do sábado (1º) durante um show da drag queen Pabllo Vittar, no Clube Monte Líbano, no Leblon, zona sul do Rio. O caso aconteceu durante uma festa dos estudantes de medicina da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), para a qual o grupo havia sido convidado. De acordo com a publicação de Jobson Camargo, uma das vítimas, o grupo teria se encaminhado até o palco para solicitar que pudessem repassar um comunicado para a plateia. Neste momento, uma das travestis teria se apoiado na grade de isolamento e um segurança, identificado como integrante da equipe da cantora, desferiu um soco em seu rosto. A vereadora suplente do Psol, Indianara Siqueira, que estava presente no momento da agressão, entrou em defesa da mulher e também acabou sendo golpeada na face.
O jovem disse ainda que, ao tentar interceder pelas amigas, ele também acabou sendo agredido e arrastado pelos seguranças até a rua. Ele relata que levou chutes no peito e um segurança teria pisado em suas mãos quando ele tentava ajudar um amigo que estava no chão. Outras duas pessoas, Rhariane Maia e Vitor Silva, foram agredidas neste momento. Pabllo Vittar, que já se apresentava, teria notado a confusão no salão e chegou a interromper a apresentação para perguntar o que estava acontecendo. Sem resposta da produção, a cantora teria dado continuidade ao show.
Em sua publicação, o rapaz também informa que prestou queixa na polícia e que teria se encaminhando para a realização de exames médicos. Jobson relatou para a equipe do R7, que chegou a acionar a Polícia Militar via 190 no momento das agressões. No entanto, ele disse que o atendimento não foi satisfatório, segundo o jovem, a viatura ia passando direto pelo local da denúncia, sendo preciso que ele chamasse os agentes para atendê-lo. Além disso, ele pontuou que um dos policiais prestou o atendimento com um armamento pesado sobre as mãos, que fez as vítimas se sentirem intimidadas. O agente teria ignorado ainda a solicitação para que ele abandonasse o armamento.
Segundo a advogada Maria Eduarda Aguiar, do Grupo Pela Vida, as vítimas acusam a equipe de seguranças do local de LGBTfobia.
— Mesmo sendo uma festa que prometia ser inclusiva, o grupo foi agredido pelos seguranças que deveriam cuidar do bem-estar de todos.
Nesta terça (04), Jobson e as outras vítimas de LGBTfobia vão se reunir, às 16h, com representantes da Ceds (Coordenadoria de Diversidade Sexual) da Prefeitura do Rio e do Rio Sem Homofobia no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul, para discutir o caso e buscar apoio do poder público.
Nélio Giorgini, coordenador da Ceds, afirmou que vai cobrar punição dos envolvidos.
— Vamos cobrar e acompanhar uma apuração rígida do caso e que os culpados sejam punidos.
A Polícia Civil informou que o caso foi registrado na delegacia do Leblon (14ªDP) como lesão corporal e que as imagens das câmeras de segurança do clube já estão sendo analisadas para identificar os autores do crime. Os seguranças da casa devem ser ouvidos e a lista de presentes revista para tentar identificar os agressores. A Polícia Militar informou que no caso do acionamento de seus agentes via 190, quem responde pelo serviço é a Seseg (Secretaria de Estado de Segurança), que até o momento também não se pronunciou sobre o caso.
Procurada pelo R7, a assessoria da Pabllo Vittar informou que "gostaria de esclarecer que a cantora não tem equipe de segurança e não acompanhou os fatos relatados. A equipe de Pabllo Vittar está buscando por respostas junto à organização do evento e não compactua com atitudes LGBTfóbicas ou qualquer tipo de violência".















