Hospitais do Rio só recebem os casos graves
Secretaria de Saúde informou que 'pacientes de baixa complexidade' devem procurar as UPAs
Rio de Janeiro|Do R7

Depois do empréstimo de verbas da União e da prefeitura da capital, o governo do Estado do Rio conseguiu na última sexta-feira (25) amenizar o caos na rede de saúde.
Com o dinheiro extra, hospitais em situação crítica, como o Alberto Schweitzer e o Getúlio Vargas, conseguiram melhorar o atendimento. Mas doentes menos graves ainda são orientados a procurar outras instituições.
A Secretaria de Saúde informou que os centros médicos “estão funcionando normalmente”, mas que os “pacientes de baixa complexidade” foram orientados a procurar UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) ou de atenção básica.
— Todos os pacientes serão atendidos considerando sua classificação de risco, dos mais graves para os menos graves.
MP do Rio de Janeiro recomenda plano para conter crise
Leia mais notícias de Rio de Janeiro
Sindicatos: Não há tranquilidade na saúde no Rio de Janeiro
A melhoria nos hospitais aconteceu depois de o governo Luiz Fernando Pezão (PMDB) ter recebido, emergencialmente, R$ 25 milhões dos R$ 100 milhões que deverão ser emprestados pela prefeitura e R$ 45 milhões dos R$ 135 milhões prometidos pelo Ministério da Saúde.
Também está previsto o aporte de R$ 152 milhões de receitas de ICMS. A estimativa do governo é de que R$ 15 milhões do imposto estejam disponíveis no dia 30 e outros R$ 75 milhões, no dia 10.
Os empréstimos foram a solução momentânea para uma crise que deixou profissionais da saúde sem receber, esvaziou estoques de medicamentos e insumos, cercou emergências importantes das zonas norte e oeste com tapumes e provocou revolta na população. Um exemplo do descaso aconteceu na terça: Cíntia de Souza deu à luz na calçada do Hospital Estadual da Mãe, na Baixada Fluminense.
Ontem, o Albert Schweitzer, em Realengo, zona oeste, que teve a emergência fechada, voltou a atender pacientes e funcionava sem filas. A unidade recebeu R$ 20 milhões da Prefeitura do Rio para o pagamento de funcionários e compra de insumos.
O secretário municipal de Governo, Pedro Paulo Carvalho, disse que a precariedade dos hospitais estaduais provocou nos últimos dias sobrecarga na rede de saúde do município.
— No Hospital Municipal Lourenço Jorge [Barra da Tijuca, zona oeste], a procura aumentou cerca de 85%, por causa da paralisação de duas emergências estaduais na zona oeste. No Hospital Municipal Miguel Couto [Gávea, zona sul], tínhamos uma média de 5.000 atendimentos por dia. Com a crise, chegamos a 8.000, cerca de 40% a mais.
Já o governo do Estado do Rio informou que já foi intimado e recorrerá da liminar que determinou o repasse em 24 horas do mínimo obrigatório de 12% de sua receita líquida do ano para a Saúde. O montante é estimado em R$ 636,1 milhões.
Há outras três decisões cobrando repasse de recursos ao Judiciário e pagamento dos salários na OS (organização social) que administra o Hospital Albert Schweitzer. O governo divulgou que ainda não foi notificado e alega não ter recursos.















