Hospital confirma morte cerebral de garoto atingido por bala perdida
Menino de 3 anos, de São João do Meriti (RJ), brincava na sala quando foi alvejado
Rio de Janeiro|Marco Antônio Lopes, do R7, com Agência Estado

O Hospital Geral de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, conhecido como Hospital da Posse, confirmou, na tarde desta quinta (2), a morte cerebral de Vitor Gabriel Leite Mateus, de 3 anos. Ele foi atingido por uma bala perdida enquanto brincava com os irmãos na sala de sua casa na tarde de segunda-feira (30), em São João do Meriti, também na Baixada Fluminense.
Letícia Paura, médica do hospital, disse ao R7 que a família irá doar os órgãos do garoto. "Assim que nós informamos sobre a morte encefálica, os pais de Vítor decidiram pela doação. Estão preparando os papéis para o procedimento", afirmou a médica.
Na noite de quarta-feira (1º), o diretor do hospital, José Gonçalves Sestello, havia confirmado que o estado de saúde do menino era extremamente grave. A bala havia atravessado um hemisfério cerebral e se alojado na base do cérebro. Como o local era de difícil acesso, os médicos optaram por não tentar retirar a bala.
A criança brincava com os irmãos dentro de casa quando foi atingida. O pai ouviu um estrondo e achou que uma das crianças tinha caído no chão. Mas encontrou o menino com a cabeça ensanguentada. Segundo Anderson de Oliveira, pai do garoto, o tiro teria entrado pelo telhado.
"Ele estava no sofá de casa, vendo TV com os irmãos mais velhos (dois gêmeos de 7 anos). Eu havia chegado em casa, entreguei um remédio que havia trazido para minha mulher e tinha acabado de sentar na sala. Ouvi um estrondo, um barulho semelhante à explosão de uma bexiga, e vi o Vitor caído, sangrando", conta o pai. "Achei que ele tivesse caído, batido a cabeça em alguma ponta do sofá e por isso estivesse ferido."
Oliveira disse que não sabe o que pensar do episódio.
"Estou com muita raiva e muita tristeza e sei que nunca vou descobrir o autor desse disparo", prevê Oliveira, que é pai de quatro filhos. Além de Vitor, que completaria 4 anos em 1º de janeiro, e dos dois gêmeos de 7 anos, tem uma filha de 1 ano e 4 meses.
Ontem, desesperado, ele havia feito um desabafo: "Peço aos bandidos que guardem as suas armas e não disparem tiro à toa, pois a munição que vai para o alto tem que cair em alguma lugar. Assim como caiu na cabeça do meu filho, a bala pode atingir outra criança ou adulto."
Vítor é a nona criança atingida por uma bala perdida no Estado este ano. O caso foi registrado na 64ª DP (São João de Meriti). De acordo com o comando do 21º BPM (São João de Meriti), não havia nenhuma operação ou ocorrência no local.















