Rio de Janeiro Interrogado por Witzel, Edmar diz que avisou sobre "batom na cueca"

Interrogado por Witzel, Edmar diz que avisou sobre "batom na cueca"

Delator do esquema, ex-secretário de Saúde responde a perguntas no julgamento do processo de impeachment protegido por biombo 

  • Rio de Janeiro | Do R7, com RecordTV Rio e Agência Estado

O ex-secretário Estadual de Saúde, Edmar Santos, delator do suposto esquema de desvio de verbas na pandemia, disse, nesta quarta-feira (7), em depoimento ao TEM (Tribunal Especial Misto), que julga o processo de impeachment do governador afastado, Wilson Witzel, ter alertado que a requalificação da Organização Social Unir Saúde, investigada em fraudes, seria, nas palavras dele, como um "batom na cueca".

Witzel interrogou Edmar Santos na sessão

Witzel interrogou Edmar Santos na sessão

DANIELA SEGADILHA/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO/07.04.2021

A declaração foi dada durante as perguntas feitas pelo próprio Witzel, que destitui os advogados antes da sessão. 

"O senhor me pediu para requalificar a Unir, e eu disse ao senhor que seria equivocado, que seria batom na sua cueca", disse Edmar.

A canetada de Witzel, ignorando cinco pareceres internos que defendiam a desqualificação da OS, ocorreu em março do ano passado.

O caso é uma das irregularidades que fundamentam a denúncia contra o governador afastado. 

A pedido da defesa, Santos foi ouvido na audiência protegido por um biombo. Ele acessou o tribunal coberto por um lençol. Por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), a gravação e a transmissão do depoimento foram proibidas.

Personagem central para as denúncias contra Witzel, Edmar chegou a ser preso, mas firmou acordo de delação em que acusou o governador de participar dos esquemas. O mandatário responde por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito criminal, além do impeachment.

O processo estava paralisado desde o final do ano passado por imbróglio judicial e foi retomado hoje.

Witzel queria imitar Doria com hospitais de campanha, aponta delator

Edmar também falou sobre a outra organização social citada na denúncia, a Iabas, contratada para administrar os hospitais de campanha do Estado durante a pandemia. Segundo o ex-secretário, a opção por construir novas unidades - em vez de priorizar leitos em hospitais já existentes - foi uma decisão política do governador.

"A ideia de hospital de campanha foi sua e da primeira-dama, surgiu num almoço, porque o (João) Doria estava fazendo em São Paulo e o senhor também queria politicamente ter um", alegou.

Defesa

Em entrevista aos jornalistas, antes do depoimento, Witzel disse ter sido pego de surpresa com a delação de Edmar e afirmou que não tinha conhecimento do que ocorria na Secretaria de Saúde. 

"O meu governo em termos de controle funcionou", disse ele ao destacar que não houve escândalos em outras secretarias com orçamentos maiores. 

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