Investigação revela violência para impor monopólio de internet do CV em comunidades do Rio
A Operação da Polícia Federal contra o grupo prendeu a mãe e o irmão de Oruam, além de um vereador, na segunda-feira (19)
Rio de Janeiro|Do R7

A Operação Backbone, da Polícia Federal, revelou que a facção Comando Vermelho ampliou a atuação para além do tráfico de drogas e passou a controlar serviços essenciais, como o fornecimento de internet, em comunidades do Rio de Janeiro.
Informações obtidas pela RECORD Rio indicam que criminosos usaram de violência para impor o monopólio dessas atividades clandestinas. Moradores foram intimidados e ameaçados para contratar provedores ligados ao esquema do CV.
Para eliminar a concorrência, integrantes do grupo teriam cortado cabos de fibra óptica, danificado equipamentos e impedido a entrada de técnicos de operadoras regulares nos territórios dominados.
A investigação se concentrou em regiões como os complexos do Alemão e da Penha, além da comunidade do Chapadão, e mirou os criminosos que dominam essas áreas:
- Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, que atuaria no Alemão;
- Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, apontado como uma das lideranças da Penha;
- Na Fazendinha, o traficante conhecido como Professor teria implementado o sistema antes de sua morte, em junho de 2025.
Como funcionava o esquema?
Os lucros milionários com a exploração desses serviços serviriam para financiar a estrutura da facção, fortalecer o poder bélico e ampliar o domínio territorial.
No braço financeiro da investigação estão três grupos empresariais, que estariam ligados à exploração desse mercado, além de empresas associadas. Firmas legalmente constituídas teriam sido utilizadas para movimentar recursos provenientes do esquema.
A investigação indicou ainda o uso de pessoas interpostas, conhecidas como laranjas, para ocultar a identidade dos supostos beneficiários do esquema.
Filho de Marcinho VP e vereador presos

A operação da PF prendeu ao menos 20 pessoas na segunda-feira (19), incluindo Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do rapper Oruam.
Lucas foi apontado como um dos beneficiários dos lucros de uma dessas empresas que integram o braço financeiro do grupo. Ele também é filho de Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que está preso há três décadas e continua a ser apontado como um dos chefes do CV.
Já o vereador do Rio, Fábio da Silva Costa, detido no Paraná, seria proprietário e beneficiário de uma empresa que atuaria nos complexos do Alemão e do Chapadão.
As defesas de Fábio e Márcia negaram envolvimento de seus clientes com ilegalidades.
Operação Backbone
A investigação da Polícia Federal identificou uma complexa movimentação de recursos entre contas bancárias, com a participação de pessoas apontadas como intermediárias e de empresas dos setores de produção musical e publicidade.
Segundo a apuração, essas operações teriam sido utilizadas para ocultar a origem do dinheiro e a identidade de seus verdadeiros beneficiários. Entre os possíveis favorecidos dos recursos estariam familiares de lideranças do Comando Vermelho.
A Operação Backbone tem como objetivo rastrear o fluxo desses recursos, identificar seus destinatários e esclarecer como os lucros supostamente obtidos com a exploração criminosa dos serviços de internet nas comunidades eram movimentados e incorporados à economia formal por meio de um possível esquema de lavagem de dinheiro.
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