Julgamento do caso Henry: filha de ex-namorada relata ter sido agredida várias vezes por Jairinho
Em um dos episódios, a jovem, hoje com 18 anos, teve a cabeça empurrada numa piscina
Rio de Janeiro|Do R7

No quarto dia de julgamento do casal Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Junior pela morte do menino Henry Borel, a filha de uma ex-namorada do réu Jairinho foi convocada a depor no II Tribunal do Júri. Aos 18 anos de idade, a menina falou pela primeira vez publicamente e revelou ter sido agredida diversas vezes pelo ex-padrasto quando tinha entre 5 e 6 anos.
Kaylane Duarte nunca morou na mesma casa que Jairo, mas explicou que conviveu com o ex-vereador durante o período em que ele manteve um relacionamento com a mãe dela.
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Em um depoimento que durou cerca de uma hora, ela relatou que tinha o costume de ficar sozinha com o ex-padrasto em oportunidades de comer fora e passear. Em uma das oportunidades, ela disse acreditar ter ido a um lugar que parecia ser um motel.
Kaylane contou que Jairo dava socos na cabeça dela — que dizia ser mocas — e apertava o braço dela por várias vezes. Além disso, ela era ameaçada a não contar para a mãe sobre as agressões sob a justificativa de que ela ficaria triste.
Após o término do namoro da mãe com Jairo, a menina teve coragem de contar para a avó o que sofreu durante quatro anos. Ela disse que decidiu falar quando as duas assistiam juntas a um programa sobre violência infantil.
Sem conter as lágrimas, Kaylane afirmou que, toda vez que fala sobre o que aconteceu, revive os episódios de violência. Ela relembrou ainda que passava mal e vomitava quando via o carro de Jairinho.
Segundo a jovem, o ex-padrasto era muito influente na região e, quando estava acompanhado de outras pessoas, não tinha o mesmo comportamento. Na época, ela não quis denunciá-lo por não querer reviver o caso.
Em 2021, as investigações do caso Henry Borel revelaram o histórico de Jairo. Outras denúncias sobre agressões a filhos de ex-namoradas também foram feitas. As acusações levaram o então vereador a perder o mandato na Câmara do Rio.
Um médico psiquiatra que analisou o processo foi ouvido pelos jurados na quarta-feira (27). Ele afirmou que Jairinho é perverso e tem prazer em provocar dor.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Jairinho agredia o menino Henry, e a mãe era omissa diante da violência. Mensagens no celular da babá fizeram a polícia descobrir que Monique foi avisada sobre o que acontecia com o filho.
No dia da morte de Henry, a criança foi levada pelo casal já sem vida ao hospital, de acordo com a médica responsável pelo atendimento. O exame de necropsia apontou 23 lesões no corpo da vítima.
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