Juntos para sempre: Macaé, no Norte Fluminense, autoriza sepultamento de pets em jazigos de seus tutores
Nova legislação municipal atende a um desejo cada vez mais comum entre famílias que consideram os animais de estimação parte integrante de suas vidas
Rio de Janeiro|Do R7

Macaé deu um passo pioneiro no Estado do Rio de Janeiro ao se tornar a primeira cidade do interior a autorizar o sepultamento de animais de estimação nos mesmos jazigos de seus tutores. A medida, regulamentada pela Lei Municipal nº 5.539/2026, já começou a ser aplicada e representa um avanço no reconhecimento dos vínculos afetivos entre pessoas e seus pets.
A iniciativa permite que cães e gatos sejam enterrados em jazigos pertencentes à família ou a parentes, tanto em cemitérios públicos quanto privados do município. Segundo o secretário municipal de Cemitérios, Elias Jorge, conhecido como Paulista, não há cobrança de taxas extras para o serviço, desde que exista espaço disponível na sepultura ou gaveta familiar.
“Por enquanto, autorizamos apenas cães e gatos, independentemente do porte. O importante é que a família possua um jazigo ou uma gaveta própria para realizar o sepultamento”, explicou o secretário.
Regras garantem segurança sanitária
Para que o procedimento seja realizado, a legislação estabelece algumas exigências sanitárias. A principal delas é a apresentação de um laudo emitido por médico veterinário regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), comprovando que o animal não faleceu em decorrência de doença infectocontagiosa.
Além disso, cabe à família providenciar uma caixa ou urna funerária adequada para acomodar o corpo do pet.
“Não há burocracia excessiva, mas é fundamental garantir a segurança de todos e evitar qualquer risco de contaminação”, ressaltou Elias Jorge.
Uma despedida marcada pelo amor

O primeiro sepultamento realizado dentro das novas regras ocorreu no último dia 24 de julho. A aposentada Maria Regina Bocampagni Izidoro, de 64 anos, foi enterrada ao lado do poodle Tiesto, seu companheiro de quase 20 anos."
A despedida reuniu familiares e amigos que acompanharam a concretização de um desejo manifestado pela aposentada em vida.
“Era um desejo da minha mãe. Ela viveu para ele e ele viveu por ela. Os dois devem estar felizes agora. Eles eram o amor da vida um do outro”, contou emocionada a filha, Liliane Bocampagni.
Segundo ela, a relação entre Maria Regina e Tiesto foi marcada por duas décadas de companheirismo e afeto.
“Hoje, permanecem juntos até a eternidade. É um conforto para a família poder realizar o desejo de quem parte. Está me fazendo bem falar sobre isso e ver essa história de amor incondicional virar um legado”, afirmou.
Pets cada vez mais vistos como membros da família
A nova legislação reflete uma transformação social observada nos últimos anos: a crescente valorização dos animais de estimação como integrantes das famílias. Para muitas pessoas, cães e gatos ocupam um espaço afetivo semelhante ao de parentes próximos, tornando o momento da despedida especialmente delicado.
Para o secretário, a medida atende a uma demanda real da população e deve registrar um número crescente de solicitações nos próximos meses.
“A gente se apega aos bichinhos e trata como se fossem filhos. Em momentos difíceis, muitas famílias não sabem como lidar com a perda. A aceitação da iniciativa foi muito positiva e acreditamos que muitas pessoas serão beneficiadas”, concluiu.
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