Lava Jato no RJ: PF faz ação em joalherias da zona sul do Rio em que Cabral fazia compras
Diligências acontecem nas lojas da joalheria Antonio Bernardo no Leblon e na Gávea
Rio de Janeiro|Do R7

A Polícia Federal faz na tarde desta sexta-feira (25) diligências a duas joalherias em que o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral fazia compras segundo investigações do MPF (Ministério Público Federal). A joalheria alvo da ação é a Antônio Bernardo no Leblon e na Gávea, ambos bairros da zona sul do Rio.
A PF investiga se Cabral, preso há uma semana por suspeita de fraude envolvendo mais R$ 200 milhões em obras do Estado e recebimento de propina de empreiteiras, comprava joias com a finalidade de lavagem de dinheiro.
Em depoimento à PF, no dia em que foi preso, Cabral declarou que "não se recorda" das compras das joias. O peemedebista se disse também "indignado" com as "mentiras" dos delatores que afirmaram ter pago propinas a ele e seus aliados referentes às grandes obras do governo do Rio.
A pedido dos Procuradores da República que integram a Força-Tarefa Lava Jato no Rio de Janeiro, a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão expedidos pelo Juízo da 7ª Vara Federal Criminal em duas sedes da joalheria. Segundo o MPF (Ministério Público Federal), as buscas acontecem "diante da possível omissão dessa empresa em repassar às autoridades dados, registros e certificados sobre eventuais negociações de joias em dinheiro por parte de alguns investigados na Operação Calicute".
Por meio de nota, o MPF disse que a venda de joias de altos valores em dinheiro, sem nota fiscal e sem comunicação aos órgãos competentes, além da possível sonegação de informações às autoridades públicas, podem indiciar conivência com crimes de lavagem de dinheiro.
Na ocasião da prisão de Cabral, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão nas suas residências no Leblon e em Mangaratiba. Foram apreendidas joias da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, um iate, relógios de marca e obras da coleção de arte do ex-governador.
A reportagem do R7 entrou em contato com a assessoria da joalheria Antônio Bernardo, mas até as 19h desta sexta não teve retorno.
Joias pagas em dinheiro vivo
A diretora comercial da H.Stern, Maria Luiza Trotta, afirmou em depoimento à PF que levava joias, anéis de brilhante e pedras preciosas na residência de Cabral, para que o ex-governador e sua mulher fizessem uma "seleção" da peça a ser escolhida. Segundo ela, os pagamentos era feitos em dinheiro vivo.
Maria Luiza disse que "chegou a vender joias no valor de até R$ 100 mil a Sérgio Cabral, tais como anéis de brilhante ou outros tipos de pedras preciosas, sendo o pagamento ainda que em tais quantias realizado em dinheiro". A diretora declarou trabalhar na H.Stern há 34 anos.
De acordo com ela, o dinheiro em espécie era levado a uma loja da joalheria, em Ipanema, zona sul do Rio, por Carlos Miranda — apontado pela Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato, como o "homem da mala" de Sérgio Cabral.
A testemunha revelou à PF que passou a atender "pessoalmente" o peemedebista quando ele ainda estava no comando do Governo do Rio, em 2013. Cabral foi governador em dois mandatos, entre 2007 e 2014.
— Os atendimentos feitos pela declarante a Sérgio Cabral sempre foram feitos no interior da residência deste; que, os atendimentos eram agendados com a declarante por Carlos Miranda ou algum outro/a secretário/a de Sérgio Cabral; que, a declarante então, nesses encontros na casa de Sérgio Cabral levava joias de amostragem, as quais eram selecionadas ou não pelo próprio Sérgio Cabral ou por sua esposa.
Segundo Maria Luiza, o ex-assessor de Sérgio Cabral "ou outros portadores não identificados do dinheiro em espécie eram dirigidos à tesouraria". A diretora não soube informar sobre a emissão de notas fiscais.
— Todas as joias tinham certificados que eram entregues a Sérgio Cabral e/ou esposa, sendo certo que a empresa não guarda cópia de tais certificados por questão de confidencialidade.
O depoimento foi prestado em 17 de novembro, dia da deflagração da Operação Calicute, que prendeu Sérgio Cabral preventivamente. O ex-governador está em Bangu 8.
A PF exigiu de Maria Luiz no prazo de 24 horas "todas as cópias de notas ficais de venda realizadas entre H. Stern e Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo".
A diretora informou que Carlos Bezerra, a quem a PF atribui o papel de operador de propinas de Cabral, pode ter atuado "como portador de valores de pagamentos de joias compradas pelo ex-governador".















