Marielle: defesa de Orlando da Curicica diz que polícia invadiu sítio
Polícia Civil não quis comentar a acusação; Orlando passou a ser investigado após testemunha o apontar como mandante da morte de Marielle Franco
Rio de Janeiro|Jaqueline Suarez, do R7*

A defesa de Orlando Oliveira de Araújo, investigado pela morte da vereadora Marielle Franco, denunciou que um sítio do ex-policial teria sido invadida por agentes da DH (Divisão de Homicídios), nesta terça-feira (5). De acordo com o advogado, os policiais que estiveram no local afirmaram ter mandado judicial, mas não teriam apresentado o documento. Ele também mostrou fotos de portas arrombadas e móveis revirados.
As buscas teriam sido feitas ontem, por volta das 16h, quando apenas o caseiro do sítio estava no local. A casa fica em Magé, região metropolitana do Estado do Rio e é utilizada para veraneio. A mulher de Orlando vive em outra residência, na zona oeste da capital.
De acordo com o advogado Renato Darlan, apenas arquivos da empresa da mulher de Orlando foram levados. Ele contou que apesar da chave do imóvel estar em posse do caseiro, o local foi arrombado. Afirmou também que nenhuma cópia do mandado de apreensão foi entregue ou apresentada.

Segundo o advogado, ele pretende denunciar a ação, que classificou como “ilegal”, à Corregedoria da Polícia Civil.
O R7 entrou em contato com a Polícia Civil, mas a instituição disse apenas que “as investigações seguem, sob sigilo, na DH/Capital”.
Caso Marielle
Orlando da Curicica, como é conhecido, foi ligado à morte de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, por uma testemunha ouvida pela DH/Capital. O relator contou que o ex-policial e o vereador Marcello Siciliano (PHS), teriam se encontrado algumas vezes para tratar da atuação da vereadora na zona oeste cidade, área com forte presença de milícias e de grande interesse eleitoral.
Após saber da denúncia, Orlando escreveu uma carta de próprio punho negando ser um dos mandantes do crime. Na mensagem, ele disse não conhecer Marielle e também acusou a testemunha de integrar um grupo de milicianos da zona oeste.
Atualmente o ex-policial cumpre pena no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Ele foi preso, em novembro do ano passado, suspeito de ser mandante de um homicídio ocorrido em 2015. No último dia 30, ele foi condenado pelo TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) por posse ilegal de armas.
No mês passado, a Justiça do Rio autorizou a transferência de Orlando para um presídio federal, porém ainda não foi definido para qual das quatro unidades ele será levado. Enquanto isso, o ex-PM cumpre pena na Cadeia Laércio da Costa Pelegrino (Bangu 1).
*Estagiária do R7, sob supervisão de Celso Foncesa















