Mil policiais das forças especiais da PM deverão dar início à ocupação
Oficiais vão abrir espaço para Forças Armadas entrarem nas 16 favelas do complexo da Maré
Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil

Cerca de mil policiais das forças especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro deverão dar início à ocupação do Complexo da Maré nas primeiras horas deste domingo (30), abrindo espaço para que as Forças Armadas entrem nas 16 favelas do complexo, localizado às margens da Avenida Brasil — a principal via de ligação das zonas norte e oeste com o centro e a zona sul da capital fluminense.
Desde o último dia 21 a Polícia Militar, especialmente os homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope), vem implantando ações não só no complexo de favelas, mas também em comunidades direta ou indiretamente ligadas à Maré.
Ao longo deste período, cerca de 60 pessoas foram presas suspeitas de ligação com o tráfico. Armas, munições e drogas foram apreendidas e casas revistadas.
Na noite de sábado (28) a presidente Dilma Rousseff assinou o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), que autoriza e legitima o deslocamento de tropas das Forças Armadas para o complexo de favelas, a fim de ajudar na garantia da segurança e da ordem nas comunidades até que as unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) sejam instaladas no complexo.
Forças Armadas e Força Nacional ocuparão Maré por tempo indeterminado, anuncia ministro
A instalação das UPPs na Maré ocorrerá, segundo o governador Sérgio Cabral, a partir do segundo semestre deste ano. O decreto será publicado segunda-feira (31), no Diário Oficial da União nesta segunda-feira. As Forças Armadas deverão permanecer na Maré até 31 de julho — embora o decreto abra a possibilidade de ampliação deste prazo.
Durante este sábado (29), houve tranquilidade nas 16 favelas do Complexo da Maré, embora os moradores estejam ansiosos na expectativa da ocupação. Embora não tenha, em nenhum momento, confirmado a ocupação da comunidade da Maré para o início da manhã deste domingo, o governador Sérgio Cabral, em entrevista concedida neste sábado (29) já dava o ato como decisão tomada e já anunciava a disposição dos governos federal, estadual e municipal de iniciarem de imediato a “ocupação social” da região, com escolas, creches, serviços de saúde e de recreação e lazer para as crianças.
Praticamente todas as entradas e saídas do Complexo da Maré já estão ocupados estrategicamente por viaturas da Polícia Militar para impedir, ou tentar interceptar a entrada e saída de armas e drogas. A imprensa do Estado também já dá a ocupação como fato decidido e já traçaram estratégias de cobertura da ação de ocupação policial.
UPPs no segundo semestre
O governador Sérgio Cabral disse neste sábado (29) que, embora esteja acertado com o governo federal que as Forças de Segurança fiquem no Complexo da Maré até o dia 31 de julho, o decreto que institui na área a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), assinado pela presidente Dilma Rousseff, já prevê a possibilidade da ampliação desse prazo de ocupação, “desde que necessário”.
Cabral disse, porém, que a intenção é de que o prazo seja cumprido e que já no segundo semestre do ano o governo do Estado inicie a instalação das unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas 16 favelas que integram o complexo. Em entrevista. o governador Sérgio Cabral lembrou as dificuldades que cercam o complexo de favelas que fica às margens da Avenida Brasil, a principal via de ligação entre as zonas norte e oeste, ao centro, e à zona sul da cidade.
- É preciso ter em mente que o Complexo da Maré é uma cidade dentro da cidade. O Estado do Rio tem 92 cidades e talvez 80% delas não tenham 120 mil habitantes [população estimada do Complexo da Maré]. Então, mais que uma cidade dentro da cidade, a Maré tem regras próprias. É dividida entre facções, milicias, comandos e onde o Estado não está presente para garantir a lei e a ordem.
Na avaliação do governador, a ocupação da Maré será mais uma vitória para o Rio e mais um passo na conquista da pacificação.
- Nós estabelecemos na GLO uma solicitação de prazo até 31 de julho para a ocupação, mas já negociamos com o governo federal que se tiver que ser estendido assim será.















