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Militar incendiou carro para justificar sumiço de Rubens Paiva, diz Comissão da Verdade do Rio

Coronel reformado confirmou ter queimado veículo após desaparecimento de deputado

Rio de Janeiro|Do R7

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Durante uma coletiva nesta sexta-feira (10), o presidente da CEV-Rio (Comissão Estadual da Verdade), apresentou documentos relativos à morte do deputado Rubens Paiva no período da Ditadura Militar. De acordo com a CEV, em novembro passado, o coronel reformado Raymundo Ronaldo Campos confirmou que Paiva morreu torturado dentro do 1º Batalhão da Polícia do Exército, na Tijuca, zona norte do Rio. Segundo a CEV-Rio, o depoimento comprova a farsa sobre a morte e desfaz a versão de que Paiva teria desaparecido ao ser resgatado por guerrilheiros no dia 22 de janeiro de 1971.

No depoimento, Campos contou que foi chamado para incendiar um Fusca e dizer que havia sido interceptado por terroristas. Segundo ele, isso serviria para justificar o desaparecimento de um prisioneiro. Para o presidente da CEV-Rio, Wadih Damous, o depoimento revela a fábrica de versões criada pela Ditadura.


— Desmontar essa farsa é importante porque mostra um dos métodos utilizados pela repressão: montar uma fábrica de versões. Recontando a história é que podemos montar a cadeia de comando e ver de onde partiam as ordens. É preciso agora que tanto o Ministério da Defesa quanto o Exército venham a público dizer o que, efetivamente, aconteceu.

Damous também destacou que dois militares possam ter informações sobre onde o corpo de Rubens Paiva está. Esses militares seriam o general reformado José Antônio Belham e o então comandante do PIC (Pelotão de Investigações Criminais), tenente Armando Avólio Filho.


— Não temos nenhum indício, em que possamos nos apoiar, para confirmar qual é a verdadeira hipótese sobre a morte de Rubens Paiva. O que sabemos é que o corpo desapareceu no DOI-Codi e tanto o Avólio quanto o Belham podem nos dar informações de onde o corpo está.

Além do depoimento de Campos, a CEV-Rio apresentou documentos que confirmam que os filhos e a mulher de Rubens Paiva também estavam sendo monitorados pela repressão até 1984. Outros documentos demonstraram que o comandante do antigo 1º Exército, general Silvio Frota, e o major Demiurgo, do DOI-Codi, tentaram fazer prevalecer a versão falsa sobre a morte de Rubens Paiva.

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