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Militares acusados de assassinato na ditadura ficam calados diante Comissão da Verdade

Ex-mulher de médico da ditadura afirmou que tenentes participavam de sessões de tortura

Rio de Janeiro|Do R7

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Ex-tenente Dulene Garcez é acusado da morte de Mário Alves
Ex-tenente Dulene Garcez é acusado da morte de Mário Alves

A Comissão da Verdade do Rio (CEV-Rio) ouviu nesta quarta-feira (2) dois militares acusados de participarem de sessões de tortura durante a ditadura militar e de assassinarem o jornalista Mário Alves, em 1970. Os tenentes Dulene Garcez e Luiz Mário Correia Lima foram interrogados sobre o assassinato do jornalista Mário Alves, em 1970, mas a única coisa que disseram no depoimento foi “nada a declarar”.

Maria Helena Gomes de Souza, mulher do médico Amílcar Lobo, que examinava os presos políticos para confirmar se eles tinham condições de continuarem a ser torturados, confirmou a participação dos militares durante as sessões no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Defesa Interna), no 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, zona norte do Rio.


— Meu marido nunca participou da tortura, mas não vim aqui para inocentá-lo. O erro dele foi a omissão. Havia uma sensação de impunidade e os militares achavam que estavam fazendo o melhor para o Brasil, que estariam salvando o país, mesmo que, para isso, estivessem torturando pessoas, o que acho um absurdo.

De acordo com a comissão, esta é a segunda vez que Garcez e Correia Lima são convocados para prestar depoimento, já que não foram à audiência pública realizada na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) em agosto. A comissão diz também que os militares não quiseram falar nada alegando que já haviam prestado esclarecimentos à Comissão Nacional da Verdade e ao Ministério Público Federal.


Para o presidente da CEV-Rio, Wadih Damous, eles só foram convocados porque nem tudo estaria esclarecido ainda, mas que é direito deles permanecerem calados.

— Se tudo estivesse sido esclarecido, eles não teriam sido convocados. Mas é direito, em um Estado democrático, que permaneçam calados, direito que foi negado àqueles que torturaram. Todos os indícios apontam para os nomes desses agentes e esses depoimentos são mais um elemento para o relatório que a Comissão da Verdade do Rio vai preparar. A sociedade precisa saber o que aconteceu. Caso o Ministério Público entenda que há elementos suficientes, tomará providências para denunciá-los.


Entre os integrantes da Comissão da Verdade presentes na sessão, estava o jornalista Álvaro Caldas, que foi torturado no DOI-Codi em janeiro de 1970. Ele se lembrou da sessão de tortura e reconheceu Correia Lima e Garcez como torturadores.

— Na entrada fui recebido pelo cabo Gil, que me encaminhou para uma sala do prédio do PIC, onde fui recepcionado pelo então tenente Correia Lima. Ali fui alvo de socos, empurrões, pontapés para, depois, ser levado à sala de tortura, onde se encontrava, além de Correia Lima, os tenentes Garcez e Avolio. Reconheço o senhor como tendo participado dessa sessão de tortura.

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