Rio de Janeiro Militares envolvidos em fuzilamento no Rio serão soltos nesta sexta

Militares envolvidos em fuzilamento no Rio serão soltos nesta sexta

"Tenho dúvidas se o mesmo ocorreria com um loiro em Ipanema", disse a ministra do STM Maria Elizabeth, única que voltou contra a soltura

Militares envolvidos na mortes de músico e catador serão soltos nesta sexta

Carro foi atingido por 80 dos 257 tiros disparados

Carro foi atingido por 80 dos 257 tiros disparados

JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 07.04.2019

Militares envolvidos na morte do músico Evaldo dos Santos Rosa e do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo serão soltos na manhã desta sexta-feira (24), no Rio de Janeiro.

"Falaram que era bandido", diz irmã de vítima fuzilada pelo Exército

Na noite desta quinta-feira, 23, o STM (Superior Tribunal Militar), em Brasília, decidiu conceder liberdade a nove dos 12 militares que participaram da ação em 7 de abril, em Guadalupe, na zona norte da capital. Os outros três militares já haviam sido libertados por ordem da Justiça e respondem ao processo em liberdade.

O músico seguia com a família para um chá de bebê quando o seu carro foi alvejado por mais de 80 tiros disparados por um grupamento militar que, supostamente, teria confundido o veículo com o de bandidos. Segundo laudos técnicos, foram disparados 257 tiros na ação.

Evaldo morreu no fuzilamento, mas seus parentes conseguiram escapar. Luciano, que estava nas proximidades e tentou ajudar a família, acabou sendo também baleado e morreu dias depois. Os militares respondem por homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado e omissão de socorro.

Catador morto após ação do Exército sonhava em ver o filho

O STM é formado por 15 ministros: quatro do Exército, três da Marinha, três da Aeronáutica e cinco civis. O presidente do Tribunal só vota em caso de empate. Isso não foi necessário neste caso. Apenas a ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, a única mulher na corte, votou pela manutenção da prisão dos nove militares.

Em seu voto, ela afirmou: "quando um negro pobre no subúrbio do Rio de Janeiro é confundido com um assaltante, tenho dúvidas se o mesmo ocorreria com um loiro em Ipanema, vestindo uma camisa Hugo Boss."

Assista: Advogado criminalista explica decisão da Justiça em libertar nove militares não indica absolvição