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Ministério Público exige imagens de operação da polícia com supostas mortes de inocentes no Rola

Objetivo dos promotores é descobrir se os agentes alteraram a cena do confronto

Rio de Janeiro|Do R7

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O MP-RJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) determinou um prazo de 10 dias para que a Polícia Civil encaminhe as imagens das operações policiais nas favelas do Rola e Coreia, em 2012, quando, supostamente, ocorreram erros de conduta dos agentes. No primeiro caso, tiros teriam sido disparados contra moradores e, após as mortes, os policiais teriam tentado incriminar as vítimas. Já no Complexo da Coreia, policiais em perseguição ao traficante Matemático teriam efetuado tiros de forma imprudente e colocado em risco a população.

A solicitação para a cessão das imagens foi encaminhada pelo MP-RJ à chefe da Polícia Civil, Martha Rocha. Também nesta terça-feira (14), o Ministério Público pediu para que o inquérito da operação comandada pela Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) na favela do Rola, fosse transferido para a Corregedoria Geral da Polícia Civil. As investigações que apuram a morte de cinco pessoas, na qual duas delas não tinham passagem pela polícia, estavam na Delegacia de Santa Cruz (36ª DP). 


O pedido veio depois de o MP devolver nesta terça-feira (14) o inquérito feito pela Polícia Civil sobre o caso. Segundo o órgão, já foi requisitado à corregedoria que realize novas investigações para complementar informações ausentes no primeiro documento entregue. Ainda de acordo com o MP, foi estipulado um prazo de 30 dias para o cumprimento das medidas.

A iniciativa de apurar o confronto após nove meses da ação foi tomada depois que um vídeo da operação filmado pelos próprios agentes e divulgado no sábado (11) pelo jornal Extra mostrar policiais alterando a localização de corpos na cena do confronto. Há indícios de que as imagens só foram divulgadas por causa de uma disputa entre policiais que participaram da ação.


Na segunda-feira (13), a chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, identificou os cinco mortos na ação. Será criado um protocolo para apurar a conduta dos policiais civis que participaram da ação.

Entenda o caso


Na operação, montada para tentar prender o traficante Diego de Souza, conhecido como DG, os agentes justificaram as mortes como autos de resistência — quando há confronto com a polícia —. Agora, caberá à corregedoria a decisão de afastar ou não os policiais envolvidos na operação durante as investigações.

No vídeo, policiais dizem que um dos mortos estava desarmado e carregam seu corpo para o local onde estavam cadáveres armados. Os agentes também dizem que vão socorrer os suspeitos, apesar de terem reconhecido, pouco antes, na filmagem, que estavam mortos.

A Polícia Civil alega que os policiais socorreram os feridos levando-os para os hospitais próximos e acionaram a perícia de forma devida. Quatro pessoas foram presas e a operação, que tinha o objetivo de prender o suposto traficante da região conhecido como DG, apreendeu quatro fuzis, uma espingarda calibre 12, duas pistolas, quatro carregadores, 67 cartuchos, nove quilos de cocaína, 62,9 gramas de crack, 334 gramas de maconha, 42 frascos de solvente e R$ 981 em espécie.

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