MPF pede que voos turísticos de helicóptero no Rio de Janeiro fiquem restritos ao mar
Pedido à Justiça ocorre após dois acidentes que deixaram 10 mortos em 55 dias
Rio de Janeiro|Do R7

Após duas tragédias aéreas que deixaram 10 mortos em um intervalo de apenas 55 dias, o Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça para pedir mudanças nas regras dos voos panorâmicos de helicóptero no Rio de Janeiro. Entre as medidas propostas está a criação de um corredor aéreo sobre o mar para as aeronaves utilizadas em passeios turísticos.
A ação civil pública foi apresentada contra a União, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Prefeitura do Rio. O MPF defende a adoção de medidas que aumentem a segurança das operações e reduzam os riscos para passageiros, moradores e áreas ambientais protegidas.

O pedido ocorre dias após a queda de um helicóptero de turismo na região da Vista Chinesa, dentro do Parque Nacional da Tijuca. O acidente aconteceu no último sábado (8) e matou o piloto Alessandro Rocha e três turistas colombianas da mesma família. A aeronave caiu em uma área de mata e pegou fogo após o impacto. As causas do acidente ainda são investigadas pelo Cenipa e pela Polícia Civil.
A primeira grande tragédia envolvendo helicópteros neste ano no Rio de Janeiro aconteceu em 14 de junho, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste da cidade. Duas aeronaves colidiram no ar e caíram após o impacto, provocando explosões e um incêndio que atingiu um pátio de veículos. Ao menos 20 carros foram destruídos pelas chamas.

As seis vítimas morreram no local. Entre elas estavam os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsillac. Também perderam a vida os passageiros Oliver Tree Nickel, cantor e produtor musical norte-americano; Gaspar Prim Díaz, conhecido como Gaspi, influenciador digital argentino; Lucas Vignale, diretor argentino de videoclipes; e o DJ e produtor musical brasileiro Lucas Frota.

Segundo as investigações, o grupo seguia para uma gravação em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, quando ocorreu a colisão entre as aeronaves. As causas do acidente ainda são apuradas pelos órgãos responsáveis pela segurança aérea.
Com a sequência de acidentes, aumentou a pressão por regras mais rígidas para o setor. O prefeito Eduardo Cavaliere defendeu uma fiscalização mais rigorosa dos voos panorâmicos de helicóptero e chegou a sugerir a suspensão temporária das operações para uma revisão das condições de segurança das aeronaves, helipontos e serviços de manutenção. A Anac informou que já reforça a fiscalização das empresas responsáveis pelos voos panorâmicos e avalia as condições das aeronaves, dos pilotos e das operadoras que atuam nesse mercado.
Além da ação judicial, o MPF também abriu um inquérito para apurar a responsabilidade da empresa responsável pelo voo que caiu na Floresta da Tijuca e os danos ambientais causados pelo acidente e pelo incêndio provocado na vegetação do parque
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