Rio de Janeiro MPF vai apurar racismo estrutural na segurança privada do RJ

MPF vai apurar racismo estrutural na segurança privada do RJ

Casos recentes de violência cometidos por vigilantes podem indicar falha em fiscalização e formação de profissionais, segundo procuradores

A PRDC (Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão) no Rio de Janeiro, órgão do MPF (Ministério Público Federal), instaurou inquérito civil para apurar as medidas adotadas pela Polícia Federal e por supermercados, shopping centers e bancos no que se refere ao enfrentamento da discriminação e do racismo estrutural nos serviços de vigilância destes estabelecimentos.

João Alberto foi assassinado em um supermercado em Porto Alegre

João Alberto foi assassinado em um supermercado em Porto Alegre

Reprodução/Facebook

Em nota, o MPF ressaltou que a investigação foi aberta após a "constatação de que episódios de violência cometidos por agentes de segurança privada, como o recente homicídio de João Alberto Silveira Freitas, no supermercado Carrefour, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, não constituem fatos isolados".

O MPF apura casos semelhantes ocorridos em São Paulo, Alagoas e Rio de Janeiro, o que, segundo os procuradores regionais dos Direitos do Cidadão Sergio Gardenghi Suiama, Júlio José Araújo e Ana Padilha Luciano de Oliveira, pode evidenciar falha na fiscalização das empresas de segurança privada por parte da Polícia Federal, especialmente no que se refere à formação dos profissionais.

O MPF convidará a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), entidades representativas dos três setores, e também especialistas e representantes de organizações do movimento negro para discutir a adoção de medidas de prevenção à violência e à discriminação racial.

No inquérito civil instaurado, o MPF também solicita informações à Delegacia de Controle da Segurança Privada da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro sobre o número de empresas de vigilância em funcionamento no Estado, número de fiscalizações realizadas e requisitos exigidos para a formação dos agentes.

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