Muleta de homem baleado em Niterói foi confundida com arma, dizem moradores; PM nega
Polícia Militar alega que reagiu a tiros de criminosos; Felipe Oliveira Pina está no hospital
Rio de Janeiro|Do R7

Um protesto de moradores do Morro do Preventório, em Niterói, região metropolitana do Rio, terminou com três ônibus queimados na noite de terça-feira (1º). A confusão teria começado após um homem ser baleado na comunidade após ter uma muleta confundida com uma arma, segundo moradores.
Testemunhas contaram à equipe da Record Rio que os agentes, que estavam na comunidade para realizar uma operação policial, chegaram atirando. Segundo um dos moradores, que não quis se identificar, os policiais disseram que atiraram contra Felipe de Oliveira Pina por terem confundido a muleta dele com um fuzil.
— Os caras saíram do beco, não queriam saber quem estava na rua. Saíram atirando e aí balearam meu amigo. Cadê o preparo deles? Aonde que tá? Não tinha ninguém armado na rua. [O baleado estava] sem camisa, com a muleta na mão. Alegaram que a muleta dele era um fuzil.
De acordo com o comando do Batalhão de Niterói (12º BPM), os policiais foram recebidos a tiros quando chegaram à comunidade. Segundo o comandante do 12º BPM, coronel Salema, Felipe foi baleado no confronto, mas negou que os agentes tenham confundido a muleta com uma arma. Na noite de ontem, a PM informou, por meio de nota, que o homem baleado era suspeito, o que foi negado nesta terça. Ele foi levado para o hospital Azevedo Lima e está em estado grave, porém estável.
A irmã do baleado, Bianca de Oliveira Pina, disse que ele trabalha em uma farmácia e estava de licença médica após sofrer um acidente de moto.
— Ele está acidentado, está com parafuso nas pernas e estava vindo do hospital com o amigo dele quando aconteceu tudo isso. Confundiram a muleta com arma, só pode, porque saíram atirando.
Após Pina ser baleado, moradores atearam fogo em três coletivos e em barricadas feitas com lixo. Houve discussão com os PMs.
A confusão assustou passageiros que estavam na estação de Charitas das barcas, que ficaram na plataforma até o fim do protesto.
A delegacia de Jurujuba (79ª DP) fica perto do local da confusão e, para evitar depredação, os agentes colocaram uma faixa de isolamento para proteger a unidade. Em uma gravação, um suposto policial diz que agentes da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) foram recebidos a pedradas e que eles tiveram que isolar a delegacia.
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