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Mulher baleada por ex-marido PM revela que filha de 5 anos testemunhou crime e está com medo

Evelyn Cruz foi baleada por PM que alegou "surto" e também roubou carro em Vila Isabel

Rio de Janeiro|Do R7

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r7rio-04-2016-ex-policial-pm-mulher-baleada Reprodução

Evelyn Alves Cruz revela, dois meses depois de ser baleada pelo ex-marido, que sempre ouviu ameaças e teve medo do porte de arma. Tiago Félix Borges é policial militar, e no dia 6 de fevereiro disparou ao menos quatro vezes contra a ex-mulher na frente da filha do casal, de cinco anos de idade.

Evelyn conta que quando conheceu Tiago no coral de uma igreja, ele era um bom rapaz, mas com o passar dos anos, se revelou um homem de temperamento difícil, que usava a profissão para intimidá-la.


— Ele falava que era policial militar e que ele tinha porte de arma. Ele tinha esse poder de andar com a arma e isso me gerava um medo.

Após a separação, Tiago recebeu autorização judicial para passar visitar e sair com a filha a cada 15 dias. Com medo, Evelyn evitava sair da portaria ao levar a filha ao encontro do pai. No dia em que foi baleada, entretanto, a filha do casal chorava muito e a mãe a levou ao colo do pai.


Iritado com o choro da criança, que não queria ir para a casa do pai, Tiago sacou a arma e disparou quatro vezes contra a ex-mulher. 

— Ele não respeitou a filha e foi algo que surpreendeu a todos. A vizinhança, as pessoas na rua não acreditam nisso, de uma criança ter visto. Ela [a menina] fala que foi a testemunha desse crime.


Após o crime, Tiago roubou um carro e dirigiu de Vila Isabel até Campo Grande. Ao se apresentar no batalhão em que era lotado, o PM alegou ter sofrido um surto. O delegado que acompanha o caso não confia na versão do PM.

— Ele alegou que toma medicamento e que sofreu um apagão, que só foi voltar à realidade quando já estava em Campo Grande, não reconhecendo o veículo ou mesmo aonde se encontrava, ou o que tinha acontecido anteriormente. Até no relatório citei que era estranho, já que é uma distância grande entre Vila Isabel e Campo Grande para dirigir e não cometer nenhum acidente nesse percurso, e apenas ter sua percepção conectada já em Campo Grande.


Considerado um policial militar de boa conduta, Tiago está preso e aguarda julgamento. Ele irá responder por tentativa de homicídio qualificado, lesão corporal e roubo de veículo. A pena pode chegar a 30 anos de prisão.

Apesar da prisão, Evelyn ainda teme pela segurança dela e da filha.

— Eu saio com medo, ela ainda está com medo. A prisão não diminuiu nosso medo. Temos medo do que pode acontecer quando ele sair, ou até mesmo lá dentro da prisão.

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