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Neto que encontrou avô morto em maca de hospital público denuncia negligência: "Eu não pude ajudar"

Arnaldo de Noronha Dias, de 88 anos, teria morrido por pneumonia, segundo atestado de óbito

Rio de Janeiro|Do R7

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Arnaldo foi encontrado morto por familiares em maca de hospital
Arnaldo foi encontrado morto por familiares em maca de hospital

A família de Arnaldo Noronha Dias, de 88 anos, denuncia que o idoso morreu por negligência da Coordenação de Emergência Regional do Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Arnaldo teria sido deixado pelos familiares em uma maca, a pedido do hospital, após dar entrada por suspeita de infecção. O hospital teria pedido uma série de exames, mas após 12 horas ainda não tinha analisado os resultados por falta de papel para imprimir. 

O idoso receberia tratamento na sala amarela, reservada para pacientes com risco moderado, e receberia os remédios necessários e também a nebulização. O hospital prometeu que ele receberia cuidados permanentes. Mas ao retornar à unidade de saúde, após algumas horas, o neto Bruno Dias encontrou Arnaldo sozinho ainda na maca.


— De tudo que foi construído, todas as histórias que eu tive com ele, o que fica pra mim, agora, é a imagem dele jogado na maca, gelado, sem atendimento, precisando que a gente ligasse para ter algum tipo de socorro.

Segundo Bruno, funcionários disseram que a sala em que Arnaldo estava passava por uma vistoria quando a família retornou, e por isso demoraram a liberar a visita. 


— E como a pessoa chega logo depois da vistoria e encontra um paciente gelado, sem respirar? Isso pra mim não existe. É desumano, é desrespeito com o familiar.

No atestado de óbito consta que Arnaldo morreu às 15h45 por pneumonia e infecção generalizada. Mas a família contesta a versão.


— Depois que eu cheguei com minha mãe, e olhamos que ele estava gelado, sem respirar, naquela posição todo contorcido, só aí que apareceu uma enfermeira que levou ele pra uma sala vermelha pra tentar ressuscitar. Mas nada tira da minha cabeça que ele estava morto, eu vi meu avô morto. Minha sensação foi que quando ele passou mal, ele tava procurando alguém, e eu não pude estar lá pra ajudar. Tiraram esse direito de mim. 

Arnaldo morava com os netos em Jacarepaguá, zona oeste do Rio. Após um acidente em agosto, recebia tratamento domiciliar com médicos e fisioterapeutas. No dia da internação, havia sofrido uma convulsão severa. Depois de constatada a morte e com as reclamações da família, o hospital entregou um endereço de email para que formalizassem as reclamações. O neto Roberto Dias afirma que, durante uma reunião com a direção da unidade de saúde, ouviram que "trabalhar com saúde no Brasil é muito difícil".


— A família tem que escrever um email contando tudo que aconteceu pra ter uma resposta oficial. E a gente escutou ainda na reunião, um representante do hospital falar que trabalhar com saúde no Brasil é muito difícil.

Em nota, a Rio Saúde afirmou que o idoso recebeu todos os cuidados necessários e acrescentou que, infelizmente, ele não respondeu positivamente ao tratamento.

Assista ao vídeo:

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