Operação da PF contra mãe e irmão de Oruam cumpriu mandado de prisão contra Marcinho VP na cadeia
A família do rapper é acusada de envolvimento em um esquema de monopólio de internet em comunidades dominadas pelo CV
Rio de Janeiro|Do Estadão, com R7

A Operação Backbone prendeu Márcia Gama dos Santos Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como rapper Oruam, nesta segunda-feira (19). A Polícia Federal também cumpriu um mandado de prisão contra o traficante Marcinho VP, pai do cantor, na cadeia.
A investigação mira um grupo criminoso que atua na exploração e domínio armado do serviço de internet em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
De acordo com a PF, a facção criminosa impõe o monopólio do fornecimento de internet nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense, por meio do uso de armas e ameaças, e utiliza empresas provedoras para lavar os recursos obtidos com a atividade.
Ainda de acordo com a apuração, traficantes armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar a chamada “internet do tráfico”. Os provedores autorizados pela facção pagam mensalmente uma “tarifa” pelo direito de operar no território.
Registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha.
Segundo a PF, a exploração desse serviço público tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes ativos e uma nova fonte de receita para a facção.
Marcinho VP
As apurações revelaram, ainda, que Marcinho VP, preso há quase três décadas e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, “continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção”.
Segundo as investigações, os lucros chegavam à família de Marcinho VP “por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, e eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão — pagos em dinheiro vivo — e criptoativos”.
Balanço da operação
Os policiais federais cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu (RJ), São João de Meriti (RJ), Teresópolis (RJ), Maricá (RJ) e Magé (RJ). Até o momento, 19 pessoas foram presas pela PF.
O Estadão tenta localizar a defesa dos suspeitos presos.
Também foi determinado o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas alvos da operação, entre provedores de internet, produtoras de eventos, empresa de contabilidade e empresas de fachada que eram utilizadas pelo grupo nas práticas criminosas.
Segundo a PF, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) será oficiada para a cassação das outorgas e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados por tais empresas, com a adoção de providências para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das localidades afetadas.
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