Pezão veta projeto que limitava a 180 dias prisão provisória no Rio
Para o governador, o projeto é um desrespeito ao sistema federativo
Rio de Janeiro|Agência Brasil
O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, vetou, integralmente, o projeto do deputado estadual Paulo Ramos - afastado do PSOL - que dispõe sobre a permanência de preso provisório nas unidades do sistema penitenciário estadual. O texto, aprovado na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), em dezembro, limitava a 180 dias a prisão provisória nas penitenciárias fluminenses.
No ofício encaminhado à presidência da Alerj com a explicação do veto e publicado nesta quarta-feira (3) no Diário Oficial, Pezão destacou que o projeto invade a “competência privativa da União para tratar de tais matérias, em evidente desrespeito ao sistema federativo”.
Pezão apontou ainda que o texto impõe atribuições ao Executivo e Judiciário, “esbarrando, mais uma vez, nas competências privativas destes Poderes para cuidar das respectivas estruturas e organização”. Ele acrescentou que, dessa forma, o projeto vai de encontro ao princípio da separação e de independência dos poderes de Estado, previsto na Constituição Estadual.
O governador chamou atenção ainda para o momento político do Estado em que várias autoridades fluminenses estão presas e destacou que a sanção traria insegurança jurídica às investigações.
“Considerando as diversas apurações criminais em curso envolvendo autoridades ou ex-autoridades estaduais, a sanção de tal projeto poderia agregar uma desnecessária insegurança jurídica à atuação investigativa e jurisdicional estatal”, justificou.
Pelo projeto, quando o prazo da prisão provisória acabar, o preso deverá ser apresentado àVEP (Vara de Execuções Penais), cabendo ao juiz responsável pela vara tomar as providências que achar cabíveis, inclusive, deixar o detento nas carceragens existentes nas instalações do TJRJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro).
A proposta aprovada pela Alerj determina ainda que o preso provisório não seja encaminhado novamente ao sistema penitenciário pelos mesmos motivos apresentados na detenção anterior. No dia 7 de dezembro, após a aprovação do projeto, o deputado Paulo Ramos disse que “se uma das causas dos presídios estarem lotados é a morosidade da justiça, é natural que o Poder Judiciário arque com as consequências”.
O deputado Paulo Ramos informou que a intenção dele não era soltar os presos provisórios, mas transferir essa responsabilidade do Poder Executivo para o Judiciário e permitir que a justiça fosse mais ágil. O parlamentar informou que atualmente 42% dos presos no Estado do Rio são provisórios.















