PF informa ao STF que PM do Rio ainda não entregou as imagens da Operação Contenção
Ação aconteceu nas comunidades nos complexos da Penha e Alemão, em outubro de 2025; 117 traficantes foram mortos
Rio de Janeiro|Da Agência Brasil

A PF (Polícia Federal) informou nesta segunda-feira (6) ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que ainda não recebeu as imagens capturadas pelas câmeras corporais dos policiais militares que participaram da Operação Contenção, realizada no ano passado no Rio de Janeiro.
Em março deste ano, Moraes determinou que as polícias Militar e Civil devem enviar à PF imagens da operação, que deixou mais de 120 mortos, sendo 117 traficantes e quatro policiais. A Polícia Federal será responsável pela perícia do material.
Em ofício enviado ao ministro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse que a corporação está realizando a perícia do material enviado pela Polícia Civil, mas as imagens da Polícia Militar ainda não foram recebidas.
“Não foi recebido qualquer acervo audiovisual relativo às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) que atuaram na operação com efetivo significativamente maior e número substancialmente superior de dispositivos de gravação corporal”, afirmou Andrei Rodrigues.
Mais prazo
O diretor também pediu mais prazo para analisar as imagens. Segundo Andre Rodrigues, a perícia do material da Polícia Civil levará pelo menos 90 dias. Serão analisadas cerca de 400 horas de gravações.
“Cumpre informar que equipe de 10 peritos criminais federais já se encontra mobilizada, trabalhando nos exames com caráter prioritário. No entanto, não se revela tecnicamente viável o cumprimento do prazo de 15 dias fixado na decisão, à luz das condições atualmente verificadas, sendo imprescindível a concessão do prazo técnico estimado em pelo menos 90 dias”, completou.
A apuração sobre a legalidade da operação ocorre no âmbito do processo conhecido como ADPF das Favelas — Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n.º 635.
Na ação, a Corte já determinou diversas medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio de Janeiro.
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