PM assassinado em Mesquita foi testemunha do caso Amarildo
Promotora de Justiça disse que morte de soldado não tem relação com processo de pedreiro
Rio de Janeiro|Do R7

O policial militar Adson Nunes da Silva, assassinado no fim de semana em Mesquita, Baixada Fluminense, foi testemunha no caso Amarildo. Segundo o MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), o PM foi ouvido na fase de inquérito pela DH (Divisão de Homicídios).
Nunes, que era lotado na Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar, foi morto no sábado (7) quando estava de folga. Após ser baleado, ele foi deixado na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Edson Passos, em Mesquita, Baixada Fluminense.
As circunstâncias do crime estão sendo investigadas pela DHBF (Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense). A polícia procura imagens de câmeras de segurança instaladas na região e de possíveis testemunhas que possam ajudar nas investigações.
De acordo com a promotora de Justiça Carmen Eliza Bastos, a circunstância da morte do soldado não tem nenhuma relação com as investigações sobre a morte do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza.
Ainda segundo a promotora, Nunes depôs na DH mas não foi convocado como testemunha do MP no processo que tramita na 35ª Vara Criminal da Capital.
Entenda o caso
Amarildo desapareceu no dia 14 de julho de 2013 após ser levado por policiais militares para a sede da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha para averiguação durante a operação Paz Armada, da Polícia Militar. Após o desaparecimento, familiares e vizinhos fizeram protestos que chegaram a fechar o túnel Zuzu Angel. Todos se perguntavam: Onde está o Amarildo?
O caso ganhou repercussão e entrou na pauta dos protestos que tomaram a cidade no segundo semestre do ano passado. Em outubro, 25 PMs da UPP da Rocinha foram presos sob acusação de tortura, ocultação de cadáver, fraude processual e formação de quadrilha. Entre eles, o major Edson Santos, comandante da unidade.
De acordo com o MP, o ajudante de pedreiro foi torturado por cerca de 40 minutos em um pequeno depósito atrás do contêiner da UPP da Rocinha. Além de receber choques elétricos, Amarildo teria sido afogado em um balde e sufocado com saco plástico na boca e na cabeça.
Segundo a promotora Carmem Elisa Bastos, quatro PMs teriam sido efetivamente os torturadores de Amarildo: tenente Luiz Medeiros, o sargento Gonçalves e os soldados Maia e Vital. De acordo com depoimentos, 11 policiais receberam ordem do tenente para permanecer dentro do contêiner e puderam ouvir as agressões. Outros 12 vigiavam o local.
Os policiais ouvidos também disseram que o major Edson Santos, hoje preso no complexo de Bangu, ficou em seu escritório, no andar de cima do contêiner, em frente ao local da tortura. As testemunhas também disseram ter ouvido o pedido para trazer uma capa de moto para cobrir o corpo, retirado do depósito pelo telhado em frente à mata.
Segundo a DH, que ouviu 133 pessoas e obteve na Justiça autorização para grampear os celulares dos policiais acusados, um informante dos PMs, que está agora sob o Programa de Proteção de Testemunhas, disse a eles que Amarildo teria a chave de um paiol. O ajudante de pedreiro teria, então, sido torturado para que indicasse a localização desse depósito de armas. A delegada Elen Souto disse que, entre as técnicas usadas, estavam asfixia com saco plástico na cabeça, choques elétricos no corpo molhado e ingestão de cera líquida.















