Polícia pede prisão preventiva de major e 9 PMs suspeitos por tortura e morte de Amarildo
Segundo denúncias de testemunhas, pedreiro morreu após ser torturado na UPP
Rio de Janeiro|Do R7

A delegada Elen Souto, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil, confirmou na tarde desta quarta-feira (2) que pediu a prisão preventiva de dez policiais militares suspeitos por torturar e matar o pedreiro Amarildo Dias na comunidade da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro.
Entre os envolvidos no crime, segundo o delegado, está o ex-comandante da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, major Edson Santos. O inquérito sobre o caso já foi concluído e encaminhado para o Ministério Público, que agora irá oferecer a denúncia à Justiça nos próximos dias. A prisão dos PMs será decretada, caso a Justiça considere que os acusados possam atrapalhar o andamento do processo ou ofereçam risco às testemunhas.
Ainda de acordo com o relatório da Polícia Civil, os policiais militares foram indiciados por tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. Além do major Edson Santos, também estão entre os acusados os PMs Douglas Roberto Vital Machado, Jorge Luiz Gonçalves Coelho, Marlon Campos Reis e Victor Vinícius Pereira da Silva.
O inquérito enviado ao promotor Homero Freitas possui 2.000 páginas e conta com depoimentos de várias testemunhas e dos policiais suspeitos, que negaram envolvimento no crime. Amarildo sumiu em 14 de julho após ser levado para averiguação na sede da UPP local. De acordo com os PMs, o pedreiro foi liberado após ficar constatado que não havia mandado de prisão contra ele.
Testemunhas contaram que a sede da UPP era usada como um espaço para tortura. Moradores eram levados para lá a fim de revelar a localização de armas e drogas. Amarildo, portanto, pode ter morrido ao sofrer agressões, conforme as denúncias feitas por moradores.
Durante as investigações, o GPS das viaturas que conduziram Amarildo foram periciados. Os policiais envolvidos no transporte do pedreiro refizeram o caminho por onde passaram em 14 de julho.
O inquérito só foi concluído após duas testemunhas afirmarem que foram coagidas pelo major Edson para apontar o traficante Thiago Neris, o Catatau, pela morte de Amarildo.















