Polícia vê fortes indícios de que Lochte praticou falsa comunicação de crime e dano ao patrimônio
Três nadadores prestaram depoimentos à polícia do Rio nesta quinta-feira
Rio de Janeiro|Do R7

A Polícia Civil está prestes a concluir o caso de vandalismo em um posto de gasolina do Rio de Janeiro envolvendo quatro nadadores do time dos Estados Unidos. Para os investigadores, há fortes indícios de que ao menos Ryan Lochte praticou falsa comunicação de crime — ele e James Feigen relataram à polícia terem sido assaltados — e dano ao patrimônio.
Foram ouvidos nesta quinta-feira (18) três dos atletas — Feigen, Gunnar Bentz e Jack Conger.
Ryan Lochte já havia deixado o Brasil quando a Justiça mandou apreender o passaporte dos atletas. Para o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, se necessário, Lochte pode ser ouvido nos Estados Unidos por meio de carta rogatória e, inclusive, rever o primeiro dado à polícia em que diz ter sido assaltado.
Para a conclusão do inquérito, falta apenas a polícia esclarecer a participação de cada atleta no episódio. Veloso disse nesta quinta não ver a necessidade de os atletas permanecerem no Rio, uma vez que já prestaram depoimentos. A partida deles estava prevista para a noite de quinta.
Segundo a polícia, um dos atletas ouvidos nesta quinta atribui os atos de vandalismo a Lochte. Os nadadores confirmaram a versão do taxista que levava os atletas e dos seguranças do posto. Com isso, foi descartada a versão do roubo.
Segundo o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, os quatro atletas deixaram uma festa na zona sul do Rio na madrugada do último domingo (14) em direção à Vila Olímpica, na zona oeste. No caminho, o táxi onde estavam parou em um posto de gasolina e os atletas foram ao banheiro. Segundo Veloso, "de forma deliberada um ou mais de um promoveu vandalismo dentro do banheiro do posto, quebrando alguns acessórios, espelhos e saboneteira".
A confusão chamou a atenção de funcionários do posto — imagens de câmeras de segurança e testemunhas corroboram essa versão. Os atletas retornaram ao veículo e seguranças do estabelecimento pediram que o taxista aguardasse a chegada de uma viatura da Polícia Militar.
Segundo a polícia, os nadadores não queriam esperar a chegada da polícia. Uma terceira pessoa, que seria um DJ — também já ouvido pela polícia —, se ofereceu como intérprete. Ele então explicou aos atletas que, como haviam promovido os atos de vandalismo, os seguranças queriam que eles arcassem com o dano.
— Eles pagaram com R$ 100 e uma nota de US$ 20. Deixaram o dinheiro por conta dos danos causados e saíram do local antes que a viatura da PM tivesse chegado.
A versão apresentada por Veloso, que desmente o que disseram a princípio os nadadores, foi confirmada por ao menos dois atletas na tarde desta quinta-feira.
A motivação
A Polícia Civil do Rio de Janeiro ainda não sabe o que teria motivado os nadadores americanos a inventarem o assalto sofrido na saída de uma festa, na zona sul do Rio, no último sábado (13). Mas o chefe da Polícia Civil não descarta a hipótese de que Lochte e outros três nadadores americanos tenham mentido para encobrir o fato de estarem no evento com mulheres.
De acordo com os investigadores, um taxista se apresentou à polícia e contou que buscou duas meninas na saída da mesma festa em que estavam os nadadores. As jovens teriam comentado durante a viagem que ficaram os atletas.
Ao R7, Fernando Veloso falou que a motivação não é relevante para a investigação. Mas que os atletas Gunnar Bentz e Jack Conger apresentaram duas situações: mentiram para salvar o relacionamento do Lochte e porque não poderiam ter se envolvido em farra com bebidas e não queriam se complicar com o COI (Comitê Olímpico Internacional).















