Policiais militares invadem escola na Maré durante confronto com traficantes, diz ONG
De acordo com ONG Redes da Maré, os agentes teriam disparado contra a caixa d'água da escola
Rio de Janeiro|Do R7

Uma operação policial que ocorreu no Complexo da Maré, zona norte do Rio, nesta quinta-feira (06), teve duração de dez horas e deixou quatro pessoas feridas, 4.341 estudantes sem aula e quatro postos de saúde fechados. Segundo a ONG Redes da Maré, agentes do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar arrombaram o portão da escola municipal Osmar Paiva Camelo. De acordo com a ONG, o colégio foi danificado pelos policiais que o utilizaram como base durante o confronto com traficantes da comunidade Nova Holanda.
A caixa d’água da unidade de ensino teria sido alvejada e os policiais estariam usando armamento de calibre grosso para atuar na região, que tem uma população extensa, segundo a ONG. Diversas cápsulas de munição foram encontradas pelo prédio da escola.
Em nota, a Polícia Militar informou que durante as incursões da Operação Poder Paralelo, "policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) foram atacados na comunidade da Maré por homens armados que ocupavam uma escola na região. Houve confronto nas imediações do prédio. Não havia aulas no momento em que houve o confronto".
Para Lidiane Malanquini, coordenadora do Eixo de segurança pública da ONG Redes da Maré, enquanto o Estado não garantir o direito à segurança pública da população, outros direitos como a educação e saúde continuarão a ser desrespeitados.
— Só neste semestre escolar, as crianças e adolescentes da Maré já tiveram meio mês a menos de aula porque a forma com que são realizadas as operações policiais geram riscos tão grandes que as escolas ficam impedidas de abrir suas portas. Isso é inadmissível — afirmou.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 14 escolas, 2 creches e 7 Espaços de Desenvolvimento Infantil da Maré não abriram na quinta-feira (06) em decorrência dos riscos gerados pela operação policial. Dados coletados pela ONG Redes da Maré revelam que, de janeiro a maio de 2017, as pessoas que vivem no Complexo da Maré já foram impactadas por 13 dias de confrontos entre grupos civis armados e 16 de operações policiais. As crianças ficaram 14 dias sem aulas e durante 19 dias a região ficou sem postos de saúde.
O levantamento feito pela ONG constatou também que 18 pessoas foram feridas e outras 15 morreram durante os confrontos entre policiais e traficantes na região. De acordo com dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), somente de janeiro a abril deste ano, 383 pessoas morreram durante intervenções policiais no Estado do Rio de Janeiro. Houve um aumento de 58,9% em relação ao mesmo período do ano passado, que havia registrado 241 mortes.
Procurada pelo R7, a Seseg (Secretaria de Estado de Segurança) informou que "recebeu o ofício, enviado pelo Tribunal de Justiça, na noite da última quarta-feira (05/07) e já solicitou que as polícias civil e militar tomem as providências necessárias. Nos últimos dias, o secretário de Segurança, Roberto Sá, determinou que as polícias do Estado - notadamente a Polícia Militar, que detém a atribuição do policiamento ostensivo - revejam procedimentos, aperfeiçoando suas normas internas sobre operações tanto planejadas quanto emergenciais. Roberto Sá destaca que "a preservação da vida e da dignidade humana, bem como a valorização profissional e a ação qualificada, são parte do planejamento estratégico da Secretaria de Segurança". Ele reforçou ainda que a política de segurança nunca foi a do confronto".
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