Professora é baleada dentro de escola no Jacarezinho, zona norte do Rio
Em carta aberta, moradores demonstram preocupação com a violência dos confrontos
Rio de Janeiro|Do R7
Uma professora foi baleada dentro de uma escola durante um tiroteio na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio, nesta segunda-feira (17). A vítima, que ainda não foi identificada, foi ferida de raspão, levada para o hospital e passa bem. A professora estava no Ciep Chanceler Willy Brate com uma criança no colo no momento em que foi atingida. Em seu perfil em uma rede social, o secretário de Educação Cesar Benjamin lamentou o ocorrido.
"Ontem uma funcionária nossa foi baleada dentro de uma escola. Já foi medicada e está bem. Demos muita sorte: ela estava com uma criança no colo. O tiro a pegou de raspão e não atingiu a criança", escreveu o secretario.
Segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Jacarezinho, o confronto ocorreu após policiais serem atacados por criminosos durante patrulhamento no ponto conhecido como Fundão. Em nota, a corporação informou que os PMs só foram informados sobre a funcionária ferida quando foram registrar o caso na Delegacia do Engenho Novo (25ª DP).
Próximo ao Jacarezinho, as aulas na Escola Politécnica da Fiocruz também foram suspensas após uma bala perdida atingir a janela de uma sala de aula. Não houve feridos, mas o susto fez com que alguns alunos e funcionários precisassem de atendimento psicológico.
Carta aberta contra a violência
Moradores, estudantes e profissionais da saúde e educação assinaram uma carta aberta de repúdio contra a violência nas favelas do Rio. O documento foi produzido por representantes do Jacarezinho, Manguinhos, Maré, Cerro-Corá e Rocinha. O ponto de maior preocupação, segundo o artigo, é a frequencia e violência empregada nas operações policiais. Em um trecho da carta, o grupo aponta que "as ações efetuadas por agentes de segurança pública e grupos armados no território esse ano vem acontecendo quase todos os dias e em diferentes horários de circulação intensa de moradores e de funcionamento de equipamentos públicos. São ações que tem vitimado, de forma grave principalmente os trabalhadores e trabalhadoras que moram na favela, como também profissionais que não moram e os próprios agentes de segurança pública- os servidores públicos que mais matam e mais morrem no mundo".
O documento expressa preocupação também diante da proximidades entre os confrontos armados e os espaços públicos, como praças, escolas, hospitais, entre outros. Para o grupo, a violência empregada nos confrontos combinada ao grandes fluxo de pessoas resulta em tragédia, como demonstra a morte de Maria Eduarda, de 13 anos, dentro de uma escola em Acari, e de um morador, de 71 anos, na porta do pequeno comércio onde trabalhava na comunidade do Mandela 2, ambos na zona norte do Rio.
"Os trabalhadores(as), moradores(as) de favelas querem a valorização da vida nesse território, mas só haverá paz com garantia de direitos e só existirá segurança com respeito aos direitos humanos para todos", conclui a carta.















