Quadrilha que atua em hospitais do Rio desviou R$ 48 mi em contratos; Ferrari e Mercedes são apreendidas
Segundo MP, suspeitos superfaturavam compras e recebiam por serviços não prestados
Rio de Janeiro|Do R7

A Operação Ilha Fiscal, deflagrada na manhã desta quarta-feira (9), prendeu oito suspeitos de integrar quadrilha acusada de fraudar mais de R$ 48 milhões em recursos públicos por meio de contratos da OS (Organização Social) Biotech Humanas com o município do Rio de Janeiro. Na ação, também foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão.
Os mandados de prisão foram expedidos pelo Juízo Criminal de Santa Cruz. A operação foi realizada pelo Gais (Grupo de Atuação Integrada na Saúde) e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, com apoio da Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado) e da Corregedoria da Polícia Militar. Participaram da ação 85 agentes.
Na casa de presos, foram apreendidos carros importados, como uma Ferrari, duas Mercedes e um Porshe, joias, cheques e cerca de R$ 500 mil em espécie, segundo o MP, oriundos da prática criminosa.
A operação teve origem a partir de denúncia ajuizada pelo MP contra 37 pessoas que integram a OS, responsável por gerenciar os hospitais municipais Pedro 2º, em Santa Cruz (zona oeste), e Ronaldo Gazolla, em Acari (zona norte).
Os acusados foram denunciados pelos crimes de peculato e falsidade em organização criminosa. De acordo com a investigação, foram realizadas inúmeras compras superfaturadas e pagamentos por serviços não prestados, sempre a cargo de pessoas ligadas ao esquema que, assim, possibilitavam o retorno do dinheiro aos dirigentes da Biotech após saques milionários em espécie.
OS será substituída
A Secretaria Municipal de Saúde informou que determinará ressarcimento do valor desviado. A partir de hoje, servidores da Prefeitura do Rio que coordenam os complexos de emergência das duas unidades assumem as direções dos hospitais Pedro 2º e Ronaldo Gazolla até a substituição por uma nova OS.
A SMS informa que, nos últimos meses, as Comissões Técnicas de Avaliação dos contratos desses hospitais vinham fazendo vários questionamentos sobre gastos e prestações de contas. Três advertências haviam sido aplicadas com relação aos dois contratos geridos pela Biotech.
Apesar de atingir 80% das metas no atendimento aos pacientes, a Biotech apresentou, no hospital Pedro 2º, problemas com relação às questões financeiras que foram cobradas pela comissão, segundo a secretaria. Em razão da falta de resposta aos questionamentos feitos quanto a este contrato, a pasta publicou no Diário Oficial de 7 de dezembro autorização para novo chamamento público para substituição da Biotech na unidade a partir de janeiro de 2016.
O contrato no hospital Ronaldo Gazolla teve início em março deste ano. A comissão identificou desequilíbrio financeiro e vem tomando as medidas necessárias, informou a secretaria.















