R7 flagra trens circulando de portas abertas 1 semana após acidente no Rio: “Segurança é fachada”
Atrasos e superlotação também estão entre as principais queixas dos usuários
Rio de Janeiro|Bruna Oliveira, do R7 Rio

Uma semana depois da batida entre trens que deixou mais de 200 feridos, em Mesquita, na Baixada Fluminense, o R7 voltou à estação Presidente Juscelino, local do acidente, em Mesquita. Na segunda-feira (12), os passageiros enfrentaram mais um dia de problemas nos ramais da SuperVia (assista à reportagem em vídeo abaixo).
Os usuários reclamaram principalmente de atrasos e superlotação. Além disso, a reportagem flagrou uma cena que impõe risco à segurança dos passageiros: composições circulando com as portas abertas.
Fotos: trens se chocam e deixam feridos na Baixada Fluminense
Na estação Nova Iguaçu, por volta das 7h, um trem em movimento, que seguia no sentido Central do Brasil, tinha passageiros pendurados na porta. O estoquista Daniel Botelho até tentou embarcar nesta composição, mas desistiu ao constatar a superlotação.
— A segurança é uma fachada. A SuperVia não marca em cima dos infratores, deixa alguns passageiros forçarem a abertura da porta com ele em movimento. Com isso, corre o risco de alguém cair e se machucar.
Procurada, a SuperVia afirmou que, "quando constatada a retenção das portas ao longo do percurso do trem, a concessionária adota procedimentos de segurança como a redução da velocidade da composição até a próxima estação, onde uma equipe de pronto-atendimento realiza vistoria e possível reparo". A SuperVia dissse ainda que a atitude é considerada crime — o autor da infração está sujeito a pena de três meses a um ano de prisão.
Viagem de mais de 3 horas
O jardineiro Damião José da Silva estava preocupado com o atraso. Ele saiu da estação Benjamim do Monte às 5h30 e só chegou no Maracanã às 9h. O passageiro quase desistiu de chegar ao trabalho. Ele criticou o reajuste do valor da passagem para R$ 3,30 a partir de fevereiro. Hoje, a tarifa é de R$ 3,20
— Hoje foi um dia daqueles. Muito atraso. Qual desculpa darei ao patrão? Não acho justo este aumento pelo serviço que oferecem.
Já a jovem Rayane de Andrade parecia assustada com tanto empurra-empurra. No seu primeiro dia de trabalho, a secretária não esperava encontrar os trens lotados. Ela saiu de Nova Iguaçu, desceu na estação Madureira e ainda precisava pegar um ônibus até a Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.
— É muita confusão, é muito estranho porque é muito apertado. Vai ser complicado passar por isso todo dia. Mas é uma prova para ver se vou conseguir chegar lá.
Em 2014, a Agetransp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes do Rio de Janeiro) abriu 67 boletins de ocorrência para apurar incidentes ou acidentes que tenham gerado impacto na operação do sistema ferrovário.
O R7 procurou a assessoria de imprensa da Supervia sobre as críticas referentes à superlotação e aos atrasos, mas até a publicação desta reportagem a concessionária não havia se pronunciado a respeito.















