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R7 testou: homens desrespeitam vagões exclusivos para mulheres em trens e metrô no Rio

Reportagem embarcou em vagões de uso exclusivo e flagrou homens no local

Rio de Janeiro|Do R7

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Homens sentados em vagão exclusivo para mulheres em trem do Rio
Homens sentados em vagão exclusivo para mulheres em trem do Rio

Mulheres que fazem uso dos vagões exclusivos para elas em trens e no metrô do Rio de Janeiro nos dias úteis (entre 6h e 9h e entre 17h e 20h) são obrigadas a dividir espaço com homens. O desrespeito foi flagrado pela reportagem do R7 tanto no metrô quanto nos trens.

Na Pavuna, um segurança foi obrigado a tirar homens que, indevidamente, haviam entrado no vagão, sentido Botafogo. Já um profissional da Supervia, diante da mesma situação, disse que não possui autorização para retirar os homens dos carros exclusivos.


As passageiras dizem que, no sistema como um todo, abusos são comuns durante os deslocamentos, principalmente em composições lotadas. Já eles dizem que viajam nos vagões das mulheres porque os demais são muito lotados. Veja a seguir os relatos. 

Trem


A reportagem embarcou na estação Triagem, por volta das 17h30 da última quinta-feira (20), e seguiu até Bonsucesso, no ramal Saracuruna. A cada parada, homens entravam no vagão sem ser importunados. Não havia ninguém da Supervia, concessionária que administra o serviço, para regular a entrada.

A assistente-administrativa Vanessa Perez, de 34 anos, diz que há homens que não se importam com a proibição.


— Pego o trem todo dia por volta das 7h para ir ao trabalho e às 17h para retornar. Posso afirmar que eles faltam com respeito. Hoje mesmo senti que um homem tentou se aproveitar, mas me afastei.

A vendedora Jaciara de Souza, 19 anos, afirma que o desrespeito e os abusos são frequentes.


— Essa invasão é comum, mas pior do que isso são os abusos. Uma vez estava com meu marido e filho dentro do trem lotado e um homem parou atrás de mim. Percebi que ele ficou se esfregando durante toda a viagem. Só depois que ele desceu é que fui falar com meu marido. Não queria arrumar confusão dentro do trem.

O medo e a impunidade de quem pratica o assédio são os principais fatores que fazem as mulheres não procurarem a polícia.

O R7 viu homens sentados nos bancos dos vagões femininos fingindo que estavam dormindo, enquanto mulheres viajavam em pé. Um dos profissionais da Supervia, que não quis se identificar, afirma que não tem autorização para colocar nenhum passageiro para fora.

Metrô

Por volta das 8h de sexta-feira (21), a reportagem do R7 embarcou na estação do Maracanã, sentido Pavuna (zona norte). No único vagão disponível para a exclusividade das mulheres, havia homens, mesmo havendo lugares nos demais compartimentos do metrô.

Em Pavuna, a reportagem embarcou no sentido Botafogo. O fluxo de passageiros era grande em razão do horário. Tentar entrar no vagão exclusivo para mulheres foi tarefa árdua, pois o volume de usuárias é muito grande. Mesmo faltando espaço, havia três homens no vagão. Entretanto, nessa estação, seguranças pediram que eles se retirassem.

Diferentemente das estações terminais, como Pavuna e Botafogo, de outras do centro do Rio, como Cinelândia e Central, há poucos seguranças nas plataformas das demais paradas. Uma vendedora que não quis se identificar disse que a falta de fiscalização ajuda a permanência dos homens que embarcam nos vagões exclusivos nas estações sem seguranças.

Passageiras ouvidas pelo R7 dizem que os homens não respeitam o horário em que esses vagões são exclusivos às mulheres e, quando elas pedem para que se retirem, eles não obedecem e até debocham.

A estudante de relações públicas Isabela Carvalho disse que é comum ver rapazes e idosos na composição, que é sinalizada com a cor rosa ou com um cartaz de 45 cm x 70 cm, para uso feminino. Ela mesma nunca presenciou casos de abuso, mas conhece vítimas de homens que tentam se aproveitar do pouco espaço no vagão para importunar as mulheres.

— Uma conhecida já chegou a brigar no metrô com um homem que tentou esfregar as partes íntimas nela. Questionado pelo R7, um usuário, que também não quis se identificar, e que estava no vagão exclusivo por volta das 8h40, disse que usa o carro por ter mais espaço para embarcar do que os outros vagões do metrô.

— Sei que é feio e que não posso fazer isso, mas o metrô cada dia fica mais cheio e sem espaço e tenho que chegar ao trabalho. Por isso, eu entro no vagão delas.

Procurado pelo R7, o Metrô Rio não havia se pronunciado até a publicação desta reportagem. 

Colaboração Nayana Alcântara e Tatiana Galdinho, do R7 Rio

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