Rio: 75% dos mortos pela polícia são negros ou pardos
Segundo o ISP, 232 vítimas de intervenção policial em 2015 tinham essas características
Rio de Janeiro|Do R7
Cerca de 75% dos homens mortos pela polícia em 2015 na cidade do Rio de Janeiro eram negros ou pardos. Dessas 232 vítimas de homicídio decorrente de suposto confronto com policiais, ao menos 24% tinham entre 18 e 29 anos (70% não tiveram a idade informada no momento do registro de ocorrência). Os dados são do ISP (Instituto de Segurança Pública) do Rio de Janeiro e foram obtidos em cruzamentos feito pelo R7 a partir de ferramenta de análise de mortes violentas no Estado.
Na capital, quase metade das vítimas de intervenção policial eram pardas (48,5%). Do total dos mortos em supostos confrontos, 27,7% eram negros.
O órgão, que pertence à Secretaria de Estado de Segurança, informou que os dados obtidos durante o processo de investigação não foram adicionados à ferramenta e que, na hora do registro de ocorrência, é difícil ter acesso à idade exata da vítima. Entre as 634 mortes oficialmente causadas pela polícia em todo o Estado do Rio, ao menos 29 foram de meninos até 17 anos.
A região com maior ocorrência dos chamados autos de resistência é a zona norte da capital. Lá, os bairros de Acari, Barros Filho, Costa Barros, Parque Colúmbia e Pavuna concentram a maioria dos casos: foram 48 mortes durante todo o ano. Na região, estão localizados os complexos do Chapadão e da Pedreira, dominados pelo tráfico e tidos pela polícia como os mais perigosos da capital atualmente. Já na zona sul da capital, apenas uma pessoa foi morta em suposto confronto com a polícia em 2015.
Na Baixada Fluminense, 83,4% das vítimas de intervenção policial são negras ou pardas. O maior número de registros foi no município de Belford Roxo, com 47 mortes. Em Duque de Caxias, foram 46 autos de resistência.
A Anistia Internacional, que mantém a campanha Jovem Negro Vivo, informou ao R7 que irá mantê-la durante o ano de 2016. Segundo a organização, o principal objetivo é engajar a sociedade e pressionar o Congresso Nacional para uma política de segurança mais eficaz.

PMs forjaram auto
Em setembro de 2015, policiais militares da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) Providência forjaram um auto de resistência. Um vídeo gravado por moradores da comunidade mostrou toda a ação. Nas imagens, um policial atira com uma arma de fogo para o alto. Segundo testemunhas, a vítima teria gritado e levantado as mãos antes de ser atingida. Na sequência das imagens, outro policial vira o corpo de Eduardo Felipe Santos Victor, de17 anos, que até então estava de bruços.
O mesmo agente manipula uma arma de fogo enquanto outro continua mexendo no corpo. Cerca de 20 segundos depois, o policial coloca a arma de fogo na mão da vítima, segura e dispara também para o alto. As imagens comprovam que a intenção dos policiais era forjar um auto de resistência, que é a morte que ocorre durante um confronto entre policiais e suspeitos.
Em janeiro deste ano, o juiz da 2ª Vara Criminal da Capital Daniel Werneck Cotta negou o pedido de liberdade para os PMs Eder Ricardo de Siqueira, Paulo Roberto da Silva, Pedro Victor da Silva Pena, Riquelmo de Paula Geraldo e Gabriel Julião Florido. Eles são acusados de fraude processual e homicídio qualificado.
Lola Ferreira, do R7 Rio















