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Rio muda regras, patrocínio cai e blocos de rua pedem doações para desfilar

Blocos pedem doações para custear infraestrutura de desfiles na capital

Rio de Janeiro|Bruna Oliveira e PH Rosa, do R7

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Bloco Orquestra Voadora arrasta uma multidão no Rio
Bloco Orquestra Voadora arrasta uma multidão no Rio

A criatividade dos blocos de rua do Rio de Janeiro foram além das fantasias neste ano. Com dificuldades financeiras, alguns tiveram de lançar mão de boas ideias para arrecadar dinheiro a fim de conseguir desfilar no Carnaval.

De acordo com Rodrigo Rezende, coordenador da Liga do Zé Pereira, composta por nove blocos cariocas, com a diminuição do patrocínio da Ambev e a falta de um segundo patrocinador, alguns desses grupos estão enfrentando dificuldades para conseguir custear a estrutura necessária para o desfile.


Segundo Rezende, para um desfile com 50 mil pessoas, são gastos cerca de R$ 70 mil com infraestrutura e segurança.

— Os blocos têm que arcar com esquema de sonorização, caminhão de som, segurança, taxa de liberação dos bombeiros, músicos, instrumentos, bebidas para os integrantes, entre outros custos. A prefeitura só fornece controladores de trânsito, banheiros químicos e cerca para os canteiros e praças.


O coordenador da liga disse que os blocos recebem dinheiro das leis de incentivo à cultura, incluindo a Lei Rouanet, e de ao menos dois patrocinadores. Entretanto, relata ele, neste ano, os blocos da liga angariaram somente o patrocínio da Ambev, que foi reduzido à metade.

— Estamos recebendo menos do patrocinador porque a Secretaria de Cultura alterou a forma de conceder o benefício fiscal da Ambev, já que entendia que havia exclusividade de venda de produtos da empresa. Mas não são os blocos que vendem a cerveja, são os ambulantes autorizados pela prefeitura. E, com essa mudança, apenas os blocos foram prejudicados.


Segundo Rezende, o corte começou em 2014 e o patrocínio foi reduzido de 80% para 40% do custeio do desfile. Com o caixa baixo, alguns blocos cortaram custos para conseguir desfilar, como o Céu na Terra. Já os blocos Toca Rauuul! e Exalta Rei! decidiram unir forças e desfilar juntos na praça Tiradentes, no centro do Rio. 

Além disso, o coordenador da liga lamenta que tivesse de abrir mão de benefícios que oferecia aos foliões.


— A gente apoiava a coleta seletiva e espalhava vários recipientes de descartes pelo desfile, com o objetivo de enviar depois o material a ser reciclado para uma cooperativa autorizada. Mas não vamos poder fazer isso este ano. Além disso, sempre disponibilizávamos mais banheiros químicos para as pessoas. Mas, este ano, tivemos que cortar devido à crise financeira.

A Orquestra Voadora, além de vender camisas personalizadas, criou um “chapéu virtual”, para que os foliões possam doar dinheiro para o desfile do bloco (saiba como colaborar). Em seu site, os organizadores explicam que a única maneira de arcar com os custos da infraestrutura será por meio de doações. 

Nas redes sociais, o tradicional Cordão do Boitatá é mais um a pedir ajuda do público. O bloco, que tem 19 anos de Carnaval, divulgou uma conta bancária para que foliões façam contribuições de qualquer valor. Segundo os organizadores, em outros anos, a conta também não fechou. Porém, este ano, o déficit chegou a R$ 40 mil.

Já o Bangalafumenga chegou a anunciar, na última segunda-feira (2), que não desfilaria este ano. O bloco alegou que o motivo seria a sujeira produzida pelos foliões. Mas, dias depois, voltou atrás e confirmou o patrocínio de uma marca de limpeza. Segundo o vocalista Rodrigo Maranhão, "nunca passou pela cabeça não desfilar" e que a ação do grupo "foi muito mais que uma campanha de marketing, muito mais que uma pegadinha".

Procurada pelo R7, a Secretaria de Cultura do Estado afirmou que, até 2013, patrocinadores poderiam abater até 60% do valor total investido. O abatimento mínimo, de 40%, era dado a projetos cuja realização estivesse condicionada "à comercialização exclusiva de produtos do patrocinador".

A partir do decreto nº 44013, de janeiro de 2013, o abatimento de 40% passou a valer também para qualquer comercialização — exclusiva ou não — de produtos vinculados ao patrocinador, informou a pasta. Ou seja, não há mais exclusividade do patrocinador na venda de produtos no bloco.

A assessoria de imprensa da Ambev esclareceu que o patrocínio é oferecido por uma das marcas da empresa, a Antarctica. Questionada, a empresa não confirmou a redução nos investimentos do Carnaval de rua. Em nota, afirmou que o patrocínio continua na mesma intensidade e que cresceu 10% em relação ao seu compromisso com a infraestrutura, segurança e entretenimento do folião. A Antarctica alegou que não divulga dados de investimentos isolados por ser uma empresa de capital aberto.

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