Rioprevidência fez investimentos de quase R$ 1 bilhão em ativos do Banco Master
Para Polícia Federal, ação expôs ‘patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com finalidade’ dela
Rio de Janeiro|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

Em quase um ano, o Rioprevidência efetuou aportes de R$ 970 milhões em títulos do Banco Master, que teve o processo de liquidação determinado pelo Banco Central em novembro passado.
Os aportes foram feitos com recursos das aposentadorias e pensões de servidores públicos do estado do Rio de Janeiro, geridos pela instituição investigada.
Nesta sexta-feira (23), policiais federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados a três diretores do Rioprevidência. Para a PF (Polícia Federal), o investimento feito pela instituição no Banco Master “expôs o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com a finalidade” dela.
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A PF apura crimes contra o SFN (Sistema Financeiro Nacional), como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução a erro em repartição pública, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.
Um dia antes do anúncio da decisão de liquidação do Banco Master, em novembro passado, o Rioprevidência divulgou uma nota em que confirmou a aplicação de R$ 970 milhões no Master e destacou que tudo ocorreu “em conformidade com os regramentos vigentes à época e de acordo com o Plano Anual de Investimentos aprovado pelo Conselho de Administração da Autarquia”.
Nesta sexta-feira (23), a autarquia emitiu novo posicionamento, desta vez, sobre as investigações.
Leia na íntegra:
“O Rioprevidência informa que todos os investimentos efetuados pela autarquia observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle.
O Rioprevidência destaca ainda que está resguardado por decisão judicial, de dezembro de 2025, que determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, referentes aos valores investidos pela autarquia. A medida visa proteger o patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio.
Dessa forma, o investimento está sendo quitado com a retenção de valores decorrentes dos empréstimos consignados, que seriam repassados ao banco. Importante ressaltar que, com isso, os recursos estão à disposição do caixa previdenciário e o investimento será liquidado em cerca de dois anos.
A autarquia reforça, também, que está à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a defesa dos recursos previdenciários.
O Rioprevidência informa ainda aos segurados que a prestação de serviços acontece normalmente, e o calendário de pagamentos permanece sem qualquer alteração."
Banco Master
A instituição financeira ganhou destaque por oferecer investimentos com taxas de retorno maiores do que as de outros bancos.
Com isso, a saúde financeira do Master passou a ser questionada, e o dono do banco, Daniel Vorcaro, começou a procurar por compradores da instituição, segundo as investigações da PF.
O BRB (Banco de Brasília), uma instituição pública, chegou a anunciar que compraria o Master, mas o processo foi barrado pelo BC (Banco Central). Posteriormente, o grupo financeiro Fictor passou a pleitear a aquisição.
Em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação do Banco Master. Na prática, a medida encerra as atividades de uma instituição financeira e define um responsável para controlá-la, que vai estabelecer como finalizar operações, vender ativos e pagar dívidas.
A liquidação ainda passará por avaliação do TCU (Tribunal de Contas da União), mas não há possibilidade de que ser revertida, segundo a própria Corte.
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