RJ: cresce busca por água mineral após denúncias sobre fornecimento
Comerciantes relatam dificuldade de manter estoque devido ao aumento das vendas; Cedae adotará aplicação de carvão ativado em tratamento de água
Rio de Janeiro|Bruna Oliveira, do R7, com Record TV Rio

As denúncias de consumidores sobre a qualidade da água fornecida pela Cedae (Companhia de Águas e Esgotos do Estado) têm provocado o aumento das vendas de água mineral em diferentes regiões do Rio de Janeiro.
Com a grande procura, clientes têm relado dificuldade para encontrar água mineral em supermercados. Um morador do Flamengo, na zona sul, contou que a unidade que frequenta na praça São Salvador estava com as prateleiras vazias, assim como farmácia que fica ao lado.
Dono de um depósito de bebidas na Taquara, na zona oeste, Marcel Gomes afirmou que não tem conseguido manter o estoque, com cerca de mil galões de 10 litros, em razão da grande procura, maior até do que já esperado para o período do verão.
“Aqui a gente manteve o preço, porque é uma questão de consciência. A população precisa e tem necessidade de água. A gente tem que respeitar isso, não pode haver abuso. Tenho ouvido que concorrentes têm pedido um preço mais caro no galão, mas não aceito isso. É um momento de dificuldade para todo mundo.”

Apesar de a companhia garantir que o serviço está dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde, um cliente, que comprou um engradado com seis garrafas de água mineral, disse desconfiar da qualidade da água da rede de abastecimento.
"É para consumo próprio e para lavar uma louça. Não vale a pena se arriscar. Está muito ruim [a água que chega à torneira], com mau cheiro.
O Procon Estadual informou que já instaurou um inquérito para apurar os problemas no fornecimento da água por meio da Cedae. Em nota, o órgão ressaltou que a empresa tem 10 dias para dar explicações sobre as medidas que está adotando sobre o caso, além dos procedimentos para ressarcimento dos consumidores que tiveram gastos extras.
O diretor jurídico do Procon RJ , Henrique Alves, esclareceu que quem se sentir prejudicado pode acionar o órgão.
“O consumidor que está comprando água e carro pipa, ele pode guardar a nota fiscal para solicitar o ressarcimento junto ao Procon. Só do consumidor estar recebendo em casa, uma água com cor e odor diferentes, já há fortes indícios de uma prática infrativa de falha na prestação do serviço."
Posicionamento da Cedae
A empresa afirmou que vai adotar, em caráter permanente, a aplicação de carvão ativado pulverizado no início do tratamento da água distribuída pelo reservatório do Guandu, que abastece grande parte da população do Rio de Janeiro.
Na terça (7), a companhia informou que após análises em amostras de água, técnicos detectaram a presença da geosmina, uma substância orgânica produzida por algas e que, segundo a Cedae, não representa risco à saúde dos consumidores.















