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RJ: PMs que mais atiraram neste ano atuam no mesmo batalhão dos suspeitos de fuzilar 5 jovens, diz CPI

Comandante demitido após fuzilamento tinha pedido mais controle no uso de armamentos

Rio de Janeiro|Do R7

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Três PMs são responsáveis por cerca de 1.600 disparos
Três PMs são responsáveis por cerca de 1.600 disparos

Os três policiais militares que mais atiraram de janeiro a outubro deste ano pertencem ao 41º BPM (Irajá), mesmo batalhão onde atuavam quatro PMs presos por suspeita de fuzilar cinco jovens em Costa Barros, zona norte do Rio, segundo a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Armas da Alerj (Assembleia do Estado do Rio).

Os sargentos Flávio Pereira Morais, Anderson Faria Merces e Nei Chagas Córdova prestaram depoimento à CPI nesta quinta-feira (10). Juntos, os PMs atiraram cerca de 1.600 vezes no período, enquanto o batalhão responde por 11.500 disparos.


Dos três PMs ouvidos, o sargento Morais foi o que mais disparou: 606 tiros. De acordo com ele, o motivo para o alto número é o fato de que o batalhão se localiza em área com três complexos de favelas (Acari, Chapadão e Pedreira) disputados por três facções.

— Efetuei 606 disparos. Mas não sumiu munição, não houve desvios. Efetuei esses disparos porque lá é uma área de guerra. Não atirei para o alto, não atirei em inocentes. Atirei em marginais, pessoas que atentaram contra nós e a população.


O presidente da CPI, o deputado Carlos Minc (PT), disse ter ficado “espantado” com o fato de o ex-comandante do batalhão, o tenente-coronel Marcos Netto, ter sido exonerado após ter pedido maior controle no uso dos armamentos. A informação foi confirmada por um dos sargentos.

Segundo Minc, mesmo após a recomendação, ocorreu o fuzilamento aos cinco jovens em Costa Barros na noite de 28 de novembro depois de passarem o dia no parque Madureira, zona norte. Segundo a perícia, o Palio branco ficou com 81 impactos de projétil.


— Eu fiquei muito espantado que o comandante foi demitido. Uma semana antes, o comandante tinha feito uma preleção para incentivar a redução dos disparos.

Leia também:PMs sorriram após fuzilar cinco jovens em Costa Barros, diz testemunha


Os dados foram obtidos por meio do SisMatBel (Sistema Informatizado de Material Bélico), após os policiais transferirem o material anotado manualmente. O sistema ficou sem funcionar de 2012 a 2014 e a corporação alega que o motivo foi a falta de abastecimento de informações e conexão.

Agora, a CPI vai marcar uma vistoria no SisMatBel, no Quartel-General da PM, para checar o real estado de funcionamento.

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