Ryan Lochte pede desculpas por inventar assalto no Rio de Janeiro
Atleta informou inicialmente ter sido vítima de assalto quando voltava de uma festa no Rio
Rio de Janeiro|Do R7

“Eu quero me desculpar por meu comportamento na semana passada, por não ter sido mais cuidadoso e sincero na forma como eu descrevi os eventos daquela manhã”.
Assim começa o pedido de desculpas do nadador norte-americano Ryan Lochte, envolvido numa confusão no Rio de Janeiro na manhã do último domingo (14), marcada por uma falsa comunicação de crime, depredação de patrimônio privado e abertura de inquérito policial.
Em texto publicado em seu perfil no Instagram na manhã desta sexta-feira (19), Lochte afirma que é “traumático” sair com amigos em um país estrangeiro, com uma “barreira linguística”, e “ter um estranho apontando uma arma para você e exigindo dinheiro para te liberar”.
O nadador diz ainda que esperou seus colegas chegarem aos Estados Unidos em segurança para aí sim fazer seu pedido de desculpas.
— Eu deveria ter sido muito mais responsável em como me comportei, e por isto peço desculpas a meus colegas de equipe, meus fãs, meus adversários, meus patrocinadores, aos anfitriões deste grande evento. Tenho muito orgulho de representar o meu país em uma Olimpíada, e esta situação poderia e deveria ter sido evitada.
Lochte ainda elogia o Brasil, o Comitê Rio 2016 e os brasileiros que "trabalharam duro para assegurar que os Jogos Olímpicos proporcionassem um período de grandiosas memórias.
Relembre o caso
Lochte, ao lado dos companheiros de equipe Gunnar Bentz, Jack Conger e Jimmy Feigen protagonizaram uma confusão no domingo (14) quando voltavam de táxi para a Vila dos Atletas, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, após saírem de uma festa na região da Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul.
Segundo o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, "de forma deliberada, um ou mais de um [atleta] promoveu vandalismo dentro do banheiro do posto, quebrando alguns acessórios, espelhos e saboneteira".
A confusão chamou a atenção de funcionários do posto — imagens de câmeras de segurança e testemunhas corroboram a versão. Os atletas retornaram ao veículo e seguranças do estabelecimento pediram que o taxista aguardasse a chegada de uma viatura da Polícia Militar.
Segundo a polícia, os nadadores não queriam esperar a chegada da polícia. Uma terceira pessoa, que seria um DJ — também ouvido pela polícia —, se ofereceu como intérprete. Ele então explicou aos atletas que, como haviam promovido os atos de vandalismo, os seguranças queriam que eles arcassem com o dano.

Nesse meio tempo, contudo, os nadadores teriam sido obrigados a se sentarem no chão, quando tiveram uma arma apontada em sua direção. A polícia ainda investiga todos os detalhes do ocorrido.
Veloso afirmou que um segurança do posto de gasolina apontou sua arma na direção de ao menos um dos atletas, que estava "transtornado". Foi exigido que eles pagassem pelos danos, e os nadadores deram ao todo a quantia de R$ 164 (R$ 100 e US$ 20).
— Se houve uso de arma de fogo para contê-los, a resposta é sim.
Segundo Veloso, um dos seguranças relatou à polícia que usou a arma para contê-los porque se tratava de "quatro homens fortes, quebrando coisas e se mostrando propensos a elevar esse padrão de violência".
O que complicou a situação dos atletas, contudo, foi que, após o ocorrido, Lochte e Feigen prestaram queixa de assalto à polícia civil, o que não aconteceu.
Desmentidos
Após comunicarem o suposto crime, o jornal britânico Daily Mail publicou um vídeo em que mostra a chegada dos quatro nadadores à Vila dos Atletas.
Como o horário das imagens não batia com os depoimentos de Lochte e Feigen, e como os atletas chegaram "descontraídos" ao local, após supostamente terem sido assaltados, a juíza Keyla Blank, do Juizado Especial do Torcedor e de Grandes Eventos do Rio de Janeiro, determinou na quarta-feira (17) a apreensão dos passaportes dos quatro nadadores. Naquele momento, Lochte já estava nos EUA, enquanto seus companheiros permaneciam no Brasil.
O caso ganhou ares dramáticos quando, na noite da mesma quarta, os nadadores Gunnar Bentz e Jack Conger foram retirados pela Polícia Federal de um voo que partiria do Brasil aos Estados Unidos. Eles foram levados para a delegacia da PF no aeroporto do Galeão, onde prestaram depoimento, tiveram o passaporte retido e foram liberados.
Na quinta-feira, contudo, o caso se desenrolou. Os nadadores Gunnar Bentz e Jack Conger prestaram depoimento pela tarde, confirmando as versões dos funcionários do estabelecimento. Sobre um provável "excesso de força" do segurança, que sacou a arma, Veloso afirmou que "nada indica que houve excesso", o que inclusive foi corroborado pelo depoimento de um dos nadadores. O chefe de polícia informou que os seguranças do posto de gasolina são agentes públicos em situação regular e que a arma em questão é legal.
Após serem ouvidos, os atletas deixaram a delegacia sob vaias e gritos de "pede desculpa". Bentz e Conger recuperaram seus passaportes e na noite de ontem mesmo deixaram o Brasil rumo aos Estados Unidos.
Momentos depois foi a vez de James Feigen prestar depoimento na Deat (Delegacia Especial de Atendimento ao Turista). Segundo a Polícia Civil, ele pediu desculpas e afirmou que a versão que o companheiro de equipe Ryan Lochte deu, de que teria sido assaltado após sair de uma festa, não era verdadeira.
Feigen firmou nesta sexta-feira (19) um acordo com o Tribunal Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos e só vai poder deixar o Brasil após pagar uma multa de R$ 35 mil pelo envolvimento no caso de vandalismo. Feigen tem até o dia 22 para pagar o acordo. O dinheiro será direcionado para uma instituição voltada para o esporte no Rio.
A polícia do Rio de Janeiro informou hoje também que Lochte e Feigen foram apontados como autores do crime de comunicação falsa de crime. Em comunicado, a polícia informou que o procedimento foi encaminhado ao Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos da Região Olímpica da Barra da Tijuca.















