Seis ossadas são encontradas em cemitério ilegal ligado à milícia no RJ
Ministério Público informou que procedimento será aberto para investigar mortes após identificação dos corpos
Rio de Janeiro|Bruna Oliveira, do R7

Seis ossadas foram encontradas em um cemitério clandestino em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Os investigadores do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e da Polícia Civil chegaram ao local na sexta-feira(3). A ação foi um desdobramento da operação Freedom, que cumpriu 42 mandados de prisão e 90 mandados de busca e apreensão contra integrantes de uma milícia que atua no município.
De acordo com o promotor de Justiça Jorge Luiz Furquim, membro do Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado), a partir da identificação dos corpos será aberto procedimento para a investigação das mortes.
— Nós sabemos que a autoria das mortes partiu da milícia que comanda a região mas não sabemos a motivação. Por isso, vamos aguardar essa identificação, saber quem são essas pessoas e, a partir daí, solicitar instauração de inquérito junto à 50ª Delegacia de Polícia, responsável pelo caso, para punir os culpados.
O Exército e o Segundo Grupamento de Socorro Florestal e Meio Ambiente do Corpo de Bombeiros auxiliaram nas buscas com homens, cães e equipamentos.
Operação Freedom
A operação investiga o grupo criminoso organizado que atua em Itaguaí e está em expansão para a Costa Verde e Piraí. Dentre os 42 indiciados, 20 foram presos - 11 ao longo das investigações e nove na operação de quinta-feira (2).
De acordo com o MPRJ, a milícia opera com bases em condomínios do programa "Minha Casa, Minha Vida" no bairro Chaperó, onde controlam a vida dos moradores e ditam as regras na região, mantendo laços com o grupo de milicianos que domina a região de Santa Cruz e Campo Grande, na Zona Oeste da capital, sendo a organização apontada como responsável por vários homicídios na região de Itaguaí.
De acordo com a denúncia, além de extorsões, os criminosos também exploram, com exclusividade, nos limites territoriais em que atuam, variada gama de outras lucrativas atividades, a exemplo de jogos de azar, do transporte público irregular, do monopólio forçado sobre a venda de água mineral em galões e de cigarros, entre outras atividades ilegais, sempre se valendo de violência armada, de atos de terror e da ideia, real, de cooptação de órgãos e agentes policiais.
Um PM do 27º BPM e um ex-policial militar destacam-se no comando do grupo, segundo o MPRJ. Integra também a organização criminosa um sub-tenente do exército. O bando ainda teria parceria com a milícia chefiada por um suspeito conhecido como "Ecko", também denunciado.















