Teatro oferece peças curtas a preços populares durante o horário de almoço no centro do Rio
Espaço apresenta três sessões diariamente com ingressos a R$ 3 no Largo de São Francisco
Rio de Janeiro|Do R7

O teatro do Saara abriu as portas no último dia 13, no Largo de São Francisco, centro do Rio. O espaço funciona de segunda à sexta, com três sessões por dia, entre as 12h e 14h. As apresentações em horário comercial fazem parte da estratégia do projeto, a ideia é atrair o público no tempo livre de almoço. O valor dos ingressos também são convidativos: apenas R$ 3 reais. O teatro está com cinco peças em cartaz, todas contam histórias que fazem referência a lugares e personagens conhecidos do centro da cidade
— O projeto é um teatro a varejo: peça curta e preço popular em um local de grande concentração de público — explicou Fernando Maatz, diretor artístico e idealizador do Teatro do Saara.
O centro comercial da Saara tem, pelo menos, 800 lojas e recebe cerca de 80 mil pessoas em um único dia. Menos de 0,5% desse publico já seria suficiente para lotar as três sessões do teatro, segundo Fernando Maatz. Ele conta que a verba para divulgação é bem limitada, mas o retorno do público tem sido positivo e aos poucos o espaço tem se tornado mais conhecido.
— O projeto está na terceira semana de apresentações, já realizou 33 sessões e não teve que cancelar nenhuma. Não está lotando, mas está acontecendo espontaneamente de muita gente aparecer, aproveitar a hora do almoço e vir.
O local que hoje abriga o teatro era, até pouco tempo, um sobrado abandonado. Ele foi parcialmente reformado, mas parte do espaço ainda precisa de melhorias. O camarim dos atores funciona em um container, ao lado do prédio. A equipe que entra em cena é composta por quatro atores que interpretam 17 personagens. A simplicidade da estrutura não afasta o publico, muito pelo contrário, tem facilitado a aproximação entre o projeto e as pessoas que frequentam a região.
— O teatro não pode inibir as pessoas. Eu acredito que o fato de o prédio ser uma ruína beneficia a gente, porque as pessoas se sentem a vontade e sentem que o espaço é pra elas — revela Maatz.
A estratégia tem funcionado bem. O Teatro do Saara está conseguindo chamar atenção, até mesmo, das pessoas que nunca foram ao teatro. Na página do projeto, um casal conta que nunca havia assistido uma peça e prometeu voltar mais vezes.
O projeto surge em um momento delicado para a cultura no Estado. Em crise, a administração estadual tem reduzido as verbas destinadas a centros culturais e teatros, além de fechar algumas bibliotecas públicas. Para o idealizador do projeto é importante pensar o papel do poder público no financiamento da cultura. Nesse cenário, o surgimento do Teatro da Saara para Maatz "é um ato de resistência da cultura e prova a importância do investimento público na área".
Maatz relembrou também que o projeto só possível devido ao investimento da Prefeitura do Rio, recebido em 2015. O projeto foi vencedor do programa Viva a Arte 2015 e tem patrocínio para realizar quatro meses de programação com 240 apresentações públicas. As apresentações vão acontecer entre 13 de março a 23 de junho, mas a ideia é estender o calendário. Fernando conta que a equipe está correndo atrás de patrocínio para, quem sabe no futuro, transformar o antigo casarão em um espaço cultural.
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