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Trabalhador picado por cobra diz que só recebeu soro antiofídico em 2º atendimento no RJ: ‘Milagre ter sobrevivido’

José Ricardo Francisco da Cunha, de 53 anos, pede a apuração do caso ocorrido em Miguel Pereira, no interior do estado

Rio de Janeiro|Do R7

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José Ricardo chegou em estado greve no hospital RECORD

Após quase um mês de internação — sendo 19 dias no CTI (Centro de Terapia Intensiva) — por conta da picada de uma cobra, o trabalhador autônomo José Ricardo Francisco da Cunha, de 53 anos, recebeu alta médica no Rio de Janeiro. Ele ainda se recupera de um quadro de anemia e não tem previsão para retornar ao trabalho.

Segundo José Ricardo, as consequências do ataque da jararaca foram ainda mais graves devido à demora de quase 24 horas para receber o soro antiofídico (medicamento utilizado para neutralizar o veneno de serpentes).


O acidente aconteceu no dia 30 de junho, em Miguel Pereira, no interior do estado, quando ele trabalhava no corte de bambu para lavouras e estufas. Imediatamente, José Ricardo buscou atendimento no Hospital Municipal Luiz Gonzaga.

“Entrei andando e consciente. Informei que havia sido picado pela cobra. Eu fui tratado com descaso, negligência. Eles deveriam ter prestado os primeiros socorros no primeiro atendimento. Me deram um soro [comum], um remédio para dor e me liberaram para casa. Eu podia ter morrido dormindo”, desabafou.


No dia seguinte, a situação piorou muito. Ele retornou ao mesmo hospital de ambulância com inchaço pelo corpo, insuficiência renal e dificuldade para respirar.

“Foi um milagre ter sobrevivido. Cheguei já em estado grave, lutando pela vida. Depois, me trataram muito bem e já entraram com o soro antiofídico, que eu precisava de primeira. Se eu tivesse sido atendido da primeira vez, já estaria há muito tempo em casa e não teria sofrido as situações de quase morte”, afirmou.


O paciente precisou de sessões de hemodiálise e transfusões de sangue. Abalado com tudo o que passou, José Ricardo ainda precisará fazer exames para acompanhar as consequências provocadas pela toxina no corpo. Ele espera que o caso seja apurado.

“Só peço para que as autoridades fiscalizem essas situações para que as pessoas sejam bem atendidas. Porque o que eu sofri não desejo para ninguém. Não quero que ninguém passe um milímetro do que eu passei na minha vida”, disse ele.


O R7 tentou contato com a Prefeitura de Miguel Pereira e a Secretaria Municipal de Saúde, por e-mail e telefone, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço está aberto para manifestação.

Quando o paciente ainda estava internado, a prefeitura respondeu à RECORD que o antídoto foi aplicado no paciente nas primeiras 24 horas. Porém, a bula do soro produzido pelo Instituto Butantã informa que a eficácia é maior quando o medicamento é administrado o mais cedo possível.

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