Trabalhadores do comércio do Rio são contra abertura de lojas na segunda de Carnaval
Sindicatos entraram em desacordo sobre a data e SRTE foi solicitada para mediar o caso
Rio de Janeiro|Do R7*
Na última semana, o Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro se posicionou contra à determinação dos lojistas em considerar a segunda-feira de Carnaval dia útil. Segundo o texto postado em seu site, os patrões não assinaram um termo aditivo apresentado pelos trabalhadores em sua Convenção Coletiva. No documento era proposto que a jornada extra realizada durante o Natal fosse compensada com um recesso durante o carnaval.
Em entrevista para o R7, o presidente do sindicato dos comerciários, Márcio Ayer, declarou que os representantes do SindLojasRio (Sindicato dos Lojistas e Comerciantes do Rio de Janeiro), se recusaram a assinar o termo aditivo. Para resolver o impasse eles solicitaram que a SRTE (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego) mediasse as negociações com o patronado.
— Quando o Sindicato procurou os representantes dos patrões no final do ano passado para assinar os termos aditivos, eles alegaram que não queriam firmar, em razão de uma suposta queda no movimento. Mas nós sabemos que as maratonas aconteceram, mesmo sem a autorização do Sindicato. Recebemos diversas denúncias sobre isso e estamos investigando. Por isso pedimos a mediação da SRTE e esperamos uma decisão favorável aos comerciários.
No entanto, a assessoria do SindLojasRio afirmou que na Convenção Coletiva assinada em Setembro de 2016 estava previsto o trabalho na segunda-feira, 27, durante o período de carnaval. O SindLojas informou ainda, que o dia em questão não é considerado feriado pela constituição e que o recesso só seria concedido como forma de compensação ao trabalho estendido no período de natal, que, conforme afirmado por eles, não ocorreu.
Uma vendedora de uma loja de departamentos localizada em uma avenida da zona sul do Rio informou que ficou sabendo das denúncias, mas que em sua empresa a cláusula foi respeitada. Segundo ela, o problema estaria acontecendo majoritariamente em lojas de shopping. Não muito distante dali, outra vendedora de uma rede de lojas de artigos para casa, informou que teve que cumprir jornada estendida durante o período de festas e que não recebeu hora extra por isso. Ela também confirmou que terá de trabalhar durante a segunda de carnaval, mesmo com o movimento mais fraco e estando a loja localizada em uma avenida por onde blocos desfilam. Ambas pediram para não serem identificadas.
— Não compensa para os lojistas e também não vale a pena para os trabalhadores, mesmo para os que ganham comissão sobre as vendas, porque o movimento fica muito reduzido nesse período — afirmou Ayer.
Ele ainda reivindica que algumas regiões aumentam o risco de assaltos e que transporte público nesta época do ano tem seu funcionamento comprometido.
— Algumas áreas comerciais ficam muito vazias nos dias de Carnaval, o que facilita assaltos. Além disso, a maioria das linhas de transporte funciona com frequência reduzida, outras não circulam, existem interdições para blocos e desfiles. Fica muito mais difícil se locomover pela cidade.
Já o SindLojas argumenta que um dia fechado significa prejuízo para os lojistas.
— Toda vez que o comércio deixar de funcionar haverá prejuízo não só para o empresário que tem que arcar com os custos de aluguel, condomínio, folha de pagamento e encargos, mas, também, para o estado, que deixa de arrecadar o ICMS. Segundo dados do CDLRIO, a não abertura do comércio significa um prejuízo financeiro de R$ 405.000.000 por dia.
Nesta quinta-feira (09) acontecerá uma mesa redonda, como foi solicitada pelo Sindicato dos Comerciários. Segundo Ayer, o SRTE confirmou presença. A assessoria do SindLojasRio também assegurou que comparecerá ao evento.
*Colaborou Samuel Costa, do R7 Rio















