“Tudo errado”, diz presidente do Crea sobre projeto da ciclovia da avenida Niemeyer
Para resistir a impacto de ondas, trecho deveria ter resistência 12 vezes mais forte
Rio de Janeiro|Do R7, com Rede Record

Ao apresentar o relatório que investigou as causas da queda da ciclovia Niemeyer nesta segunda-feira (30), o presidente do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio), Reynaldo Barros, disse que estava “tudo errado” no projeto. No relatório, são apontadas falhas como falta de estudos preliminares oceanográficos dos efeitos das ondas sobre a estrutura da ciclovia, que desabou no fim de abril, além de falhas na licitação e na fiscalização do contrato.
Além desse erro, também houve descumprimento da lei de licitações, que determina o cumprimento das normas técnicas brasileiras em obras e projetos. De acordo com o Crea, advertências como censura pública, multa, suspensão temporária do exercício profissional com a possibilidade de cancelamento definitivo do registro devem ser feitas.
No dia do acidente, as ondas atingiam 3 m, com duração de 17 segundos, gerando uma força de baixo pra cima de 3 t/m². A estrutura de 25 t que tombou foi projetada para resistir a um impacto de 0,5 t/m². Para resistir ao impacto, o trecho deveria ter uma resistência de mais de 6 t/m², ou seja, 12 vezes mais forte do que era.
A queda da ciclovia deixou dois mortos: o engenheiro Eduardo Marinho, de 54 anos, e o garçom Ronaldo Severino, de 60 anos.
As próximas medidas do Crea devem ser: autuar os responsáveis técnicos pelos serviços de engenharia, notificar todos os órgãos responsáveis (Prefeitura e TCM) e empresas envolvidas; encaminhar toda documentação ao MPE e MPF (Ministério Público Estadual e Federal).
Polícia Civil e instituto de pesquisas hidroviárias também analisam acidente
O inquérito da Polícia Civil, que investiga o duplo homicídio culposo ainda não foi concluído e teve o prazo prorrogado. Além da Polícia, o Instituto de Criminalística Carlos Éboli concluiu que houve erro de projeto na ciclovia e o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias foi contratado pela Prefeitura para investigar o desabamento.















