Rio de Janeiro Uma criança baleada a cada 17 dias na Região Metropolitana do Rio

Uma criança baleada a cada 17 dias na Região Metropolitana do Rio

Levantamento é do Instituto Fogo Cruzado e foi divulgado durante audiência pública do STF

  • Rio de Janeiro | Victor Tozo, do R7*

João Pedro, de 14 anos, foi vítima da violência no Rio de Janeiro

João Pedro, de 14 anos, foi vítima da violência no Rio de Janeiro

Reprodução

Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado, plataforma digital colaborativa que registra dados de violência no RJ e em Recife, aponta que uma criança é baleada a cada 17 dias na Região Metropolitana do Rio.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira (19), durante uma audiência pública convocada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, no âmbito da ADPF 635 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), que coleta informações úteis à elaboração do plano de redução da letalidade policial.

Ainda de acordo com o estudo, em 5 anos houve mais de 30 mil tiroteios na região do Grande Rio. Em 1/4 do total destes, estavam presentes agentes de forças de segurança estatais, e estas ações resultaram em 60% dos mortos e 80% dos feridos.

A audiência foi marcada pelo discurso da jornalista e diretora do Fogo Cruzado, Cecília Olliveira, no qual ela destacou os efeitos positivos da ADPF, que entrou em vigor após a morte do menino João Pedro Mattos, de 14 anos, em maio de 2020.

Segundo Olliveira, durante o período de vigência da ADPF os tiroteios caíram em 22%, e os com a presença de agentes de segurança tiveram queda de 32%. O número de mortos caiu 33% e o de feridos, 28%.

A diretora do Fogo Cruzado destacou que um dos maiores efeitos positivos da ADPF foi a redução das chacinas, que reduziram em 30% nesses últimos 10 meses. De acordo com Olliveira, em 5 anos, houve 267 chacinas na região metropolitana do Rio, que deixaram mais de mil mortos. Em 73% dos casos houve participação de agentes de segurança.

No entanto, a jornalista declarou que com a entrada de Cláudio Castro no governo, no fim de agosto, o secretário de Polícia Civil escolhido por ele, Alan Turnowski, assumiu o cargo descumprindo restrições determinadas pelo STF, alegando que não impediriam operações no Rio por motivo do Estado viver situação de “exceção“. E, com isso, os números da violência teriam voltado a crescer.

Além de João Pedro, a jornalista também relembrou as mortes das primas Emily e Vitória, de 4 e 7 anos, em dezembro do ano passado, para revelar uma triste estatística: na última semana, a Região Metropolitana atingiu a marca de 100 crianças baleadas.

Na audiência, Olliveira pediu a intervenção do STF para conter a violência no Estado:
“Quem se importa com estas crianças, majoritariamente negras e pobres? Os senhores desta corte precisaram intervir, já que o Estado do Rio de Janeiro não se importa. Os senhores são nossa última instância no apelo pela vida destas crianças. Sem a intervenção deste Tribunal, quantas crianças mais vão morrer?”

Violência continua

Kaio foi baleado na última sexta (16)

Kaio foi baleado na última sexta (16)

Reprodução

Na última sexta-feira (16), o menino Kaio Guilherme, de 8 anos, foi baleado na cabeça enquanto estava em uma comemoração na escola em que sua mãe trabalha em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro.

Apenas no hospital descobriram que o ferimento era por conta de um tiro. O avô acredita que o tiro tenha vindo da comunidade vizinha, pois no momento não se escutava troca de tiros no bairro.

A direção do Hospital Municipal Albert Schweitzer informou, por meio de nota, que "Devido ao ferimento por arma de fogo no crânio, foi então transferido para o Hospital Municipal Pedro II, que é a referência em neurocirurgia da Zona Oeste. O menino foi operado pelos especialistas e segue em quadro grave, devidamente monitorado".

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