Rio de Janeiro Vendedor morto em Niterói já havia sido agredido por seguranças de shopping, segundo advogado

Vendedor morto em Niterói já havia sido agredido por seguranças de shopping, segundo advogado

Hiago Macedo, de 21 anos, foi assassinado por PM enquanto vendia balas perto da estação das barcas do município; agente foi preso

  • Rio de Janeiro | Victor Tozo, do R7*

Hiago já havia sido agredido em 2019

Hiago já havia sido agredido em 2019

Reprodução/Record TV Rio

O vendedor de balas Hiago Macedo de Oliveira Bastos, de 21 anos, morto nesta segunda-feira (14) por um policial militar em Niterói, na região metropolitana do Rio, já havia sido agredido por seguranças em um shopping do município em 2019. A informação foi dada pelo advogado Roberto Gatti, que o acompanhou à delegacia para registrar a violência, na ocasião.

A agressão foi gravada por testemunhas em um vídeo divulgado pelas redes sociais, que foi ao ar no Balanço Geral Tarde em março de 2019.

Procurado pelo R7, Gatti, que era membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Niterói, afirmou que o jovem vendia balas no shopping quando foi abordado e atirado no chão pelos seguranças do estabelecimento.

O advogado acompanhou Hiago até a 76ª DP (Niterói), onde abriram boletim de ocorrência. O centro comercial também foi oficiado pela comissão, mas, de acordo com Gatti, o caso acabou não indo à frente, pois o jovem teve receio de entrar com uma ação judicial contra o shopping.

Ainda segundo o defensor, Hiago esteve na delegacia em, ao menos, outras cinco ocasiões, por ser apontado por "atitude suspeita" nas ruas, mas sempre era liberado em unidade policial.

"[Hiago] passou a ser um frequentador constante da delegacia do centro de Niterói. Era uma pessoa já bem marcada", comentou o advogado.

Gatti também contou de um episódio ocorrido no ano passado, quando ele passava pela estação das barcas e viu Hiago algemado no chão.

"Mais uma vez, ele estava vendendo as balinhas dele e foi alegado em atividade suspeita. Estava muito nervoso e com o joelho machucado. O policial puxava o braço dele a ponto de quase quebrar", disse o advogado. Segundo ele, o jovem foi, novamente, levado à delegacia e liberado.

Morte de Hiago 

Hiago foi morto a tiros por um policial militar no início da tarde de segunda, na Praça Arariboia, próximo à estação das barcas de Niterói.

Testemunhas afirmaram que o jovem tentou abordar uma pessoa para vender balas quando o agente interveio e iniciou uma discussão. O PM, então, teria atirado à queima-roupa contra Hiago, que não resistiu.

A Polícia Militar alegou que o agente estava de folga e reagiu a uma tentativa de assalto. O jovem teria "investido contra a integridade" do policial, que acabou disparando o tiro. 

O PM foi preso e irá responder por homicídio doloso qualificado por motivo fútil. Ele está detido na unidade prisional da corporação, que informou que o caso é acompanhado pela 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar. 

A morte do vendedor é investigada pela DHNSG (Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí). Segundo a Polícia Civil, os agentes estão ouvindo testemunhas e buscarão imagens de câmeras de segurança instaladas na região para esclarecer todos os fatos.

O corpo de Hiago foi sepultado na tarde desta terça (15), no cemitério do Maruí, em Niterói. Segundo parentes, o jovem juntava dinheiro para fazer uma festa de aniversário para a filha, que irá completar dois anos daqui a três dias. 

A viúva de Hiago, Thais Conceição dos Santos, disse que o filho dela de 14 anos acompanhava o jovem e presenciou o momento da morte. Ela declarou que o marido era um homem trabalhador e que foi "brutalmente assassinado".

*Estagiário do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

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