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Viúva de Amarildo tem esperança de enterrar corpo do marido após MPRJ reabrir caso

10 PMs do Bope devem ser investigados sobre suposta ocultação do cadáver de pedreiro

Rio de Janeiro|Do R7

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Elizabeth não quer deixar caso impune
Elizabeth não quer deixar caso impune

A viúva de Amarildo de Souza, Elizabeth Gomes da Silva, afirmou, nesta terça-feira (23), que está aliviada após o MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) decidir pela reabertura do caso que investiga a morte do ajudante de pedreiro, na Rocinha, zona sul do Rio, em 2013.

Com o novo rumo das investigações, a família teve esperança de enterrar os restos mortais de Amarildo renovada.


— Para gente, aliviou um pouco. A gente não tinha mais esperança, já fez dois anos que meu marido faleceu, e a gente não tinha resposta da Justiça.

Ela disse que os seis filhos ainda perguntam o que aconteceu com o pai.


— Minha filha de 15 anos caiu no pranto após ver a cena toda. Ela disse que tem certeza de que era o corpo do pai. Então, a gente tem que se conformar com que está acontecendo e não deixar o caso impune.

Entenda o caso


Na última segunda-feira (22), o MPRJ informou que deve investigar a participação de dez policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) na ocultação do cadáver do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido no dia 14 de julho de 2013, após ser levado para averiguação durante uma operação na comunidade da Rocinha, zona sul do Rio.

A promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), disse que o Bope foi acionado por volta das 22h do dia 14 para ajudar os policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) num suposto confronto que ocorria na comunidade.


De acordo com a promotora, os dez policiais do Bope mostrados pelas imagens de câmeras de segurança já foram ouvidos pelo MP no início do inquérito e negaram participação na morte de Amarildo. Disseram também que o Bope foi convocado por causa de uma ameaça de ataque de traficantes, versão semelhante à dada pelo então comandante da UPP.

Em entrevista nesta terça-feira (23), Carmen afirmou que analisava todas as provas do processo contra 25 PMs da UPP da Rocinha acusados da morte para a elaboração das alegações finais (entregues em 17 de junho), quando os peritos detectaram um volume em uma das viaturas do Bope — cujas imagens haviam sido fornecidas pela Polícia Militar.

A promotora relatou que a distribuição dos PMs na viatura — diferente das demais — foi o que inicialmente chamou a atenção dos peritos, o que os levou a analisar mais detalhadamente aquela caçamba.

— Nesta análise, primeiro se identificou o volume, que não havia nas demais viaturas. Utilizamos das técnicas dos nossos peritos e eles constataram que aquele volume tinha profundidade. Para isso, utilizaram luz e sombra. Verificaram que aquele volume que estava externamente [na viatura] era de material reflexivo. Então verificaram que o tamanho do volume não era incompatível com o volume de um corpo.

O MP passou então a analisar elementos que estavam no entorno dessa viatura do Bope. Segundo a promotora, o GPS dela fica uma hora sem emitir informações dentro da Rocinha, enquanto a viatura que a acompanha no mesmo período o GPS continua operando. Pelo GPS dos outros veículos, foi possível também identificar que o comboio do Bope parou por dois minutos em um ponto da comunidade que não podia ser filmado por câmeras.

Também causa estranheza à promotora o Bope ter demorado duas horas (de 22h às 0h) para chegar à UPP depois de acionado pelo então comandante da unidade, major Edson Santos, quando as ações do batalhão especial exigem rapidez.

No processo que apura responsabilidade dos policiais militares da UPP da Rocinha, consta informação de que o corpo de Amarildo foi envolto em uma capa de moto com fitas adesivas.

Com isso, o Gaeco encaminhou à Central de Inquéritos do MPRJ notícia de crime para apurar eventual participação de policiais do Bope na ocultação do cadáver. Segundo a assessoria do MP, um promotor já foi designado para assumir as novas investigações. Quem está no caso agora é a promotora de Justiça Marisa Paiva, da 15ª PIP (Promotoria de Investigação Penal).

Assista ao vídeo:

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