Bráulio, o Garoto de Ouro do Inter, relembra gol histórico em passeio com Samuca
Ídolo colorado revisitou momentos da carreira, contou histórias dos gramados e se emocionou no Beira-Rio
Balanço Geral RS|Do R7
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Um gol marcado há 60 anos transformou um jovem jogador em um dos personagens mais queridos da história do Internacional. Em outubro de 1966, Bráulio protagonizou um lance inesquecível contra o Cruzeiro, no antigo Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre. A jogada foi tão especial que rendeu ao atleta um apelido que atravessaria gerações: Garoto de Ouro.
Na sexta-feira (16), o ex-jogador voltou a percorrer os caminhos da própria história em uma edição especial do quadro De Fusca com o Samuca, do Balanço Geral. Ao lado de Samuel Vettori, Bráulio relembrou o gol, os títulos, os companheiros de equipe e as emoções de uma vida dedicada ao futebol.
O golaço que deu origem ao Garoto de Ouro
Bráulio tinha apenas 17 anos quando enfrentou o Cruzeiro de Minas Gerais, equipe que contava com jogadores como Tostão e Piazza. Do outro lado estava também o goleiro Raul Plassmann, que anos depois se tornaria um dos grandes nomes do futebol brasileiro.
Durante a conversa, o ex-atleta descreveu a jogada que mudou sua vida. Depois de receber a bola pela esquerda, conseguiu escapar da marcação de dois adversários e finalizou de primeira, sem chances para o goleiro. O lance impressionou o narrador esportivo Mendes Ribeiro, que anunciou o nascimento do Garoto de Ouro. O apelido pegou e acompanhou Bráulio durante toda a carreira.
Seis décadas depois, a lembrança permanece viva. O ex-jogador recordou os detalhes do lance e a surpresa de um adolescente que começava a conquistar seu espaço no futebol profissional.
Uma carreira de títulos e histórias
Bráulio começou sua trajetória no Internacional em 1964 e permaneceu no clube por aproximadamente dez anos. Durante esse período, conquistou cinco títulos do Campeonato Gaúcho e participou de uma geração que ajudou a consolidar o protagonismo colorado no futebol brasileiro.
Depois da passagem pelo Inter, defendeu o América do Rio de Janeiro e o Botafogo, onde integrou uma equipe que alcançou uma sequência de 52 partidas de invencibilidade. Também teve uma experiência no futebol chileno antes de retornar ao Brasil.
Na conversa com Samuca, o ex-jogador revelou ainda que recebeu propostas de outros clubes, incluindo o Grêmio, e compartilhou bastidores de negociações que poderiam ter mudado os rumos de sua carreira.
Relíquias guardadas pelo pai e lembranças do Beira-Rio
Um dos momentos mais especiais do encontro foi a apresentação de uma antiga caderneta com registros da carreira de Bráulio. O material foi cuidadosamente preservado pelo pai do jogador, que guardava notícias e recordações das conquistas do filho.
A visita ao Museu do Internacional também trouxe lembranças da inauguração do Beira-Rio, em 6 de abril de 1969, em um amistoso contra o Benfica, de Portugal. Bráulio recordou a multidão que acompanhou a partida e o gol histórico de Claudiomiro.
Ao observar fotografias, uniformes e homenagens aos antigos jogadores, o Garoto de Ouro reviveu momentos ao lado de grandes nomes do futebol colorado, como Falcão e Elias Figueroa.
O reencontro com uma vida inteira de futebol
Entre tantas lembranças, Bráulio contou que, ainda estudante, matava aulas no Colégio Júlio de Castilhos para acompanhar o futebol. O menino que sonhava em estar dentro de campo acabaria se tornando um dos ídolos do clube.
Ao ser perguntado sobre o sentimento de retornar ao Beira-Rio, a resposta veio carregada de emoção: "É só gratidão, é só gratidão."
No encerramento do passeio, Samuca deixou o ex-jogador por alguns instantes a sós com as próprias lembranças. Um encontro simbólico entre o adolescente que marcou um golaço em 1966 e o homem que, 60 anos depois, continua sendo reconhecido como o Garoto de Ouro.















