Casal é preso em Porto Alegre por agiotagem, sequestro e tortura
Operação Debitum prendeu homem de 24 anos e mulher de 30; polícia alerta para sinais de agiotagem
Balanço Geral RS|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Um casal foi preso em Porto Alegre, na Operação Debitum, suspeito de sequestro, tortura, extorsão, lesão corporal grave e agiotagem. Ele tem 24 anos, e ela, 30. Segundo o delegado Gabriel Casanova, responsável pelo caso, os dois moravam juntos e cometiam os crimes em conjunto, cobrando valores que muitas vezes nem correspondiam à dívida original. Os juros eram abusivos: bastava um dia de atraso para o valor dobrar, e a cobrança passava a ser definida pelos próprios agiotas.
Vítima foi sequestrada e torturada
De acordo com a polícia, quem se endivida com um agiota e recorre a outro,, para quitar o primeiro, acaba identificado, porque esses grupos se comunicam entre si. Foi assim que o casal localizou uma das vítimas, que foi sequestrada. Os criminosos extorquiram os familiares dela, e ela foi muito agredida e torturada. Imagens da violência foram exibidas no programa, com desfoque.
Soco inglês e máquina de cortar cabelo
Nos imóveis alvo da operação, os policiais apreenderam um soco inglês, uma máquina de contar dinheiro e uma máquina de cortar cabelo. Segundo o delegado Casanova, o equipamento era usado para humilhar mulheres devedoras: os agressores raspavam o cabelo delas como forma de ameaça para forçar o pagamento. Mensagens acessadas pela polícia indicam que a mulher dava suporte ao companheiro nas invasões e agressões, inclusive contra outras mulheres.
Como identificar a agiotagem
O delegado explica que ninguém anuncia abertamente que é agiota, mas alguns sinais aparecem já no primeiro contato. Um deles é a exigência de dados pessoais completos, como foto com documento, comprovante de residência, escola dos filhos, com quem a pessoa mora e onde trabalha. Essas informações servem depois para ameaçar a vítima, invadir a casa e ir até o local de trabalho. Outro sinal é a cobrança de juros de 30% a 50% sobre o valor emprestado.
Não há contrato, e o valor da dívida pode crescer de um dia para o outro, chegando ao quádruplo. Quando o devedor foge por medo a cobrança recai sobre pais, irmãos e filhos. A polícia também alerta que esses agiotas costumam integrar organizações criminosas com controle territorial, que lhes dão cobertura, e que qualquer pessoa pode ser vítima, inclusive idosos, crianças e adolescentes. Questionado se havia ameaças de morte, o delegado respondeu que “com certeza”.
Emprestar dinheiro não é crime
Gabriel Casanova ressalta, na reportagem de Jônatha Bittencourt, que emprestar dinheiro de uma pessoa física para outra não é crime. O que configura crime é cobrar juros abusivos com promessa de violência ou tortura. A orientação da polícia é não recorrer a esse tipo de empréstimo, porque quem acaba pagando é o devedor ou a família dele.















